Hoje acordei com a mesma sensação da sentida em um, agora longínquo, dia de novembro de 2017. Naquele momento, impactado por uma série de situações vivenciadas durante um final de semana, resolvi enviar um e-mail para alguns amigos na forma de uma carta. As inquietudes daquele momento foram incorporadas a um texto de Boas-vindas ao website LevanteBH, criado especialmente para abrigar a minha pesquisa de pós-doutorado nomeada “Como viver junto na cidade”.
Neste sábado, dia 6 de dezembro de 2025, após uma noite de muitos sonhos, certamente motivados por mais uma enxurrada de más notícias vindas das redes sociais ao longo do dia anterior, acordei com uma questão: “O que fazer agora?”. Pensando e associando livremente, como se estivesse no divã, deixando as ideias fluírem, lembrei-me de uma charge mostrada por Guilherme Terreri (Rita Von Hunty) em um vídeo na internet elogiando o filme” O filho de mil homens”. Procurei e não encontrei mais o vídeo, mas consegui encontrar essa imagem:

Sabemos que a questão “O que fazer agora?” remete, cientificamente, a um mecanismo humano universal de adaptação. É uma pergunta-gatilho, digamos assim, que dispara a necessidade de reorganização cognitiva, planejamento, simulação de futuros, tomada de decisão e reconstrução social. Concluo que essa é a pergunta que o meu cérebro me fez e para a qual devo encontrar uma resposta. Interpreto que ela veio para que eu tenha controle diante de uma mudança. Pergunto-me: – Que mudança é essa? A resposta é fácil: preciso decidir meus próximos passos, diante da conclusão, próxima, da minha atual pesquisa de pós-doutorado. Ao final de quatro anos de pesquisa, não há como fugir a essa pergunta: e agora?
A questão “O que faremos agora?” remete a outra questão: “O que eu farei agora?”. Essa, sim, é uma questão à qual tenho mais poder de decisão, já que “o que faremos” dependerá de acordos com outras pessoas e “o que farei”, pelo menos hipoteticamente, depende apenas de mim.
A minha primeira decisão, então, é este registro, que faço on-line em uma postagem do website LevanteBH, mais uma vez em caráter copyleft. Ao terminar a primeira versão desta postagem, iniciarei a enviar seu link para pessoas que, ao longo dos últimos anos, fui contactando como possíveis integrantes da rede LevanteBH. Elas são, dentre as que já conheço, as que mais se interessarão em ler estes meus garranchos. Você, que está lendo esta postagem, saiba que cada palavra e expressão marcadas com uma cor diferente estão vinculadas a uma outra postagem, aqui mesmo do meu website, que pode ser acessada para ampliar o entendimento do estou pensando.
A resposta que Rafael Corrêa dá em seu cartum à pergunta “E agora, o que faremos?” é espetacular: “Poesia, esses canalhas não suportam poesia”. Ele me atende amplamente, não por eu ser um poeta, mas por já ter ouvido algumas vezes, após fazer uma proposta de intervenção na realidade da minha cidade, como uma crítica, quase como um xingamento: – Você é um poeta.
Minha resposta imediata ao “O que fazer?” é: Continuarei pesquisando, propondo e divulgando, buscando saídas para vivermos juntos na cidade, não como uma reação aos canalhas, mas a despeito deles: é o que sei fazer, faço bem e é o que me dá prazer fazer. A minha decisão individual, portanto, já está tomada. Formalizo, então, o derradeiro desafio da minha pesquisa, que recebe o número 52: apresentar formalmente os resultados do Como viver junto na cidade em sessões presenciais e on-line.
Volto à questão central: “o que faremos?”. A você, que está lendo esta postagem, peço tão somente que acesse novamente o website LevanteBH, e navegue por ele, lembrando-se de levar consigo o fio de Ariadne. Na página Convite a um levante dou uma dica: “Comece pelo poema No governo, de Laís Corrêa de Araújo, e em seguida conheça a Biblioteca do LevanteBH. Não deixe, também, de visitar a página que mostra “quem somos” para conhecer um pouco sobre cada um/uma de nós que estamos construindo juntos a rede LevanteBH.
A dica de hoje é: navegue pela página Relatório Final e veja as propostas que já construí, durante a pesquisa de pós-doutorado, de 2022 a 2025, sob a supervisão da professora Rosário Macário (IST – Universidade de Lisboa). A partir de 2026 seguirei pesquisando e propondo sem essa supervisão formal, tendo a professora e a instituição como integrantes da rede LevanteBH. Convido você, então, a descobrir conosco como viver junto na cidade.
Marcos Fontoura de Oliveira
Belo Horizonte, 6 de dezembro de 2025
PS1: Clique aqui (acesso restrito) para acessar a lista de a quem foi enviada, de forma personalizada, esta postagem.
PS2: Façamos, aqui, uma descrição da imagem, acima mostrada, para pessoas com deficiência visual. Desenhado com traços finos e cores suaves, o cartum mostra duas pessoas em pé, caminhando lado a lado, em um espaço branco e vazio. Ambos usam roupas marrons e ocres. O ambiente remete a um local frio. O homem pergunta: – E agora, o que faremos? Com as mãos nos bolsos, a mulher responde: – Poesia, esses canalhas não suportam poesia. No canto inferior direito do cartum há um pequeno “R”, sugerindo a assinatura do artista Rafael Corrêa.
PS3: Recorro à IA do ChatGPT para saber de quando é e onde encontrar publicado esse cartum de Corrêa. A resposta é: A primeira edição impressa confiável da ilustração está no livro “Até aqui tudo bem”, cuja divulgação pública foi em 2018. A data exata da criação do cartum permanece incerta — provavelmente anterior a 2018 — e não há registro público confiável de uma publicação original anterior (revista, jornal etc.).
Em 05/01/2026 decidi dar um novo rumo à pesquisa (clique aqui para a postagem – em elaboração)