EU…(1999): EU, GETÚLIO. Curadoria: Cafi, Marcello Dantas, João Pedro Gouvêa Vieira. Rio de Janeiro: [s.n.], 1999. s.p. (catálogo da exposição, Rio de Janeiro, Palácio do Catete – Museu da República, 1999).
comentário: Essa exposição integra lista do verbete exposições temáticas.
Foi com prazer que fui ao Museu da República especialmente para visitar essa exposição, que tanto diz sobre a história brasileira.
Na imagem abaixo, vemos diversos documentos utilizados por Getúlio Vargas, dentre eles credenciais de 1943, 1944, 1945 e 1947 para utilização do transporte ferroviário. São credenciais na forma de carteira que o portador abre para mostrar o seu conteúdo (parte de cima e parte de baixo). Esse formato de documento é muito comum, até hoje, no Brasil.

na credencial de 1944 lemos na parte de cima:
E.F. CENTRAL DO BRASIL
PASSE DE 1ª CLASSE
N.º 001
1944
no local identificado com SÓ TEM VALOR COM O RETRATO
está carimbado DISPENSADO RETRATO

na credencial de 1944 lemos na parte de baixo:
Concedido ao Snr. DOUTOR GETÚLIO VARGAS
Categoria PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Para viajar entre LIVRE TRÂNSITO
Assinatura do portador: [em branco]
Alguns comentários:
- As credenciais de 1943, 1944 e 1945 são – todas – n.º 001. A credencial de 1947, emitida para Getúlio Vargas na categoria Membro do Congresso Nacional, tem o n.º 963. Certamente, a credencial n.º 001 daquele ano de 1947 foi emitida para Eurico Gaspar Dutra, general golpista que participou da deposição de Getúlio Vargas em outubro de 1945, foi presidente do Brasil de 1946 a 1951 e tentou ser novamente presidente após o golpe de 1964.
- Sendo o presidente da República uma pessoa que sequer precisava colocar o retrato na credencial, a emissão da credencial era provavelmente apenas um rito burocrático, que se fazia de praxe, e sempre com o n.º 1.
- Sendo presidente ou membro do Congresso Nacional, as credenciais de Getúlio Vargas nunca têm retrato e nem assinatura. Será que as credenciais de todos os membros do Congresso Nacional também não precisavam ter retrato e nem assinatura?
- O modelo de credencial prevê Snr. (senhor), ou seja, às mulheres não era prevista a concessão desse privilégio.
- Essas credenciais são de um momento na história em que ter uma passe de 1ª classe, que certamente concedia a gratuidade ao seu portador (embora não escrito no documento), era uma demarcação de poder. O documento não era, portanto, visto como uma credencial de gratuidade e, sim, como uma credencial de 1ª classe.