Cheguei a este artigo inspirado na defesa de Roberto Andrés em debate com Marcos Nobre.
MELO, R. (2020): MELO. Rúrion. Democracia como forma de vida: Cultura política e eticidade democrática em Axel Honneth. Cadernos De Filosofia Alemã: Crítica E Modernidade, 25(3), 75-94, 2020. Disponível em: internet. Acesso em: 20 jun. 2022.
trechos:
p.75-76: Há muito tempo os movimentos sociais progressistas procuram ampliar os sentidos da democracia. Atualmente, demandas de movimentos variados (antirracista, feminista, LGBTQI+) pressupõem uma ideia comum e decisiva: a democracia é uma forma de vida. […] Isso significa reconhecer que racismo, sexismo e homofobia moldam de maneira constitutiva práticas e comportamentos em diferentes dimensões da vida social, abrangendo espaços de convivência diferentes (casa, trabalho, escolas, universidades, bares, shoppings, praças, para citar apenas alguns) e produzindo injustiças em dimensões interseccionadas da política, da economia e da cultura. […]
p.81: Por conseguinte, se as formas cooperativas de liberdade comunicativa e de autorrealização individual forem violadas, se não for possível garantir a todos os integrantes da sociedade que a interação e a comunicação se manterão livres de dominação, então os próprios ideais democráticos também estarão sob o risco de ser violados e perder efetividade social. O que torna mais complexa a questão em termos políticos é que as “garantias” mencionadas não devem se limitar às constrições legais do direito positivo, mas sim à observância cotidiana desses princípios promovida por processos instáveis de aprendizagem social, cuja estabilidade remete antes de tudo à cultura política de fundo. [nota 9 = Questão que remete à investigação semelhante feita em outro contexto: “Mesmo se contássemos com instituições legalmente estáveis e bem avaliadas do ponto de vista da democracia política, não seria possível afirmar que vivemos de fato em uma sociedade democrática se continuamos convivendo com experiências sociais de racismo, sexismo, ou outros tipos de violação social da autonomia. Ter autonomia significa não se submeter à dominação e à violência nos diversos contextos sociais da vida […]. Implica, portanto, poder se autogovernar (ou seja, a capacidade de se autorrealizar e se autodeterminar) no cotidiano de suas interações sociais” (Melo, 2017a, p. 66).]