SODRÉ, M. (2023a): SODRÉ, Muniz. Aceito a expressão, mas racismo não é estrutural no Brasil, diz Muniz Sodré. Entrevista concedida a Maurício Meireles. Folha de S.Paulo, São Paulo, 18 mar. 2023. Disponível em: link externo. Acesso em: 19 mar. 2023.
trechos:
Aceito a expressão, mas racismo não é estrutural no Brasil, diz Muniz Sodré
Em novo livro, sociólogo diz que falta base científica ao conceito e propõe nova radiografia da descriminação racial
18.mar.2023 às 23h00
EDIÇÃO IMPRESSA
Maurício Meireles
Repórter especial
[RESUMO] Em novo livro, Muniz Sodré contesta o conceito de racismo estrutural, que a seu ver carece de base científica. Embora não se oponha ao uso da expressão, o sociólogo e colunista da Folha afirma que a discriminação racial no Brasil é difícil de combater por ser institucional e intersubjetiva, tendo como marca a negação do preconceito, e que teria se reconfigurado depois da Abolição com as ideias fascistas europeias. Sodré defende ainda que o pensamento da aproximação, manifestado em algumas situações brasileiras, traz oportunidade de combater o racismo.
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Ele também defende que as rodas de capoeira e os candomblés podem oferecer uma chave de saída para a discriminação racial.
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Mas, para mim, o principal modo de combater o racismo é o pensamento da aproximação, que é mais completo. É o morar junto, a vizinhança na escola, no trabalho, nas relações amorosas. A aproximação está em qualquer unidade que se possa construir, e o racismo se exacerba quando os diferentes estão próximos.
O Brasil já é um país que tem as oportunidades de aproximação pela própria heterogeneidade da população. Temos que pensar as diferentes formas de existir no Brasil e aprender com elas. Onde você não encontra racismo aqui? No Axé Opô Afonjá, no candomblé de Menininha do Gantois, no terreiro da Casa Branca, nas rodas de capoeira. Será que não pode vir daí uma lição?
Não é que as pessoas sejam perfeitas, mas há modos de vida ali que são antirracistas. São casos pequenos, mas é do pequeno que você começa a pensar o grande. Foi assim que Davi matou Golias.
O FASCISMO DA COR: UMA RADIOGRAFIA DO RACISMO NACIONAL
Preço R$ 54,90 (280 págs.); R$ 41 (ebook) Autor Muniz Sodré Editora Vozes