WILDE, O. (1961b[1897]): WILDE, Oscar. A alma do homem sob o socialismo. In: _______. Obra completa (volume único). Tradução, organização e anotação: Oscar Mendes. Rio de Janeiro: Aguilar, 1961 [5ª reimpressão em 1995]. p.1164-1193. Também disponível em: internet-Sabotagem. Acesso em: 12 out. 2020.
Oscar Wilde escreveu essa obra na Reading Gaol (atual HM Prison Reading), onde cumpriu pena de 1895 a 1897.
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trechos:
p.1177 (na edição da Aguilar):
Será isto uma utopia? Mas um mapa-múndi em que não figurasse a Utopia não valeria a pena de ser olhado, pois nele faltaria o único país em que a Humanidade desembarca diariamente. E apenas nele, olha para mais além e, divisando uma terra mais bela, torna a virar proa para ela. O progresso não é senão a realização das utopias.
p.14 (no arquivo de Sabotagem):
Isto é Utópico? [melhor está essa pergunta na edição da Aguilar] Um mapa-múndi que não inclua a Utopia não é digno de consulta, pois deixa de fora as terras a que a Humanidade está sempre aportando. E nelas aportando, sobe à gávea e, se divisa terras melhores, toma a içar velas. O progresso é a concretização de Utopias.
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p.1173 (na edição da Aguilar):
A personalidade é uma coisa misteriosíssima. Nem sempre se pode apreciar um homem pelos seus atos. Pode este observar as leis, não obstante, indigno. Pode infringir as leis e ser, não obstante, honrado. Pode ser mau, sem ter praticado nenhum mal; cometer um crime contra a sociedade, alcançando sua verdadeira perfeição com esse crime.
p.10 (no arquivo de Sabotagem): […] O que se diz de um homem não muda um homem. Ele é o que é. A opinião pública não tem valor algum. Se usarem de violência contra eles, não deverão por sua vez ser violentos. Isto seria cair no mesmo plano inferior. Afinal, mesmo na prisão, um homem pode ser livre. Sua alma pode estar livre, sua personalidade pode estar tranqüila e ele pode estar em paz. E, sobretudo, não devem interferir nos outros ou julgá-los de modo algum. A personalidade é coisa muito misteriosa. Não se pode medir um homem pelo que ele faz. Um homem pode seguir a lei, e no entanto ser desprezível. Pode violar a lei, e no entanto ser justo. Pode ser mau, sem nunca ter feito nada de mau. Pode cometer um pecado contra a sociedade, e no entanto alcançar por meio desse pecado a verdadeira perfeição.
Comentário: Elias Andreato declamou parte desse trecho, lindamente, em sua peça “Oscar Wilde: escritos do cárcere“.
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