Esta postagem integra o verbete lista de filmes.
IDENTIDADE (2021): IDENTIDADE. Direção: Rebecca Hall. Estados Unidos & Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, 2021. vídeo, preto/branco, 98′. Título original: Passing. [trailer dublado no YouTube].

Assisti a esse filme em 8 de janeiro de 2022: bonito, triste e inquietante. Enquanto assistia, lembrei-me dos ratos (judeus) que usam máscara de porco (alemão) na HQ “Maus” de Art Spiegelman. Em 2024, lendo sobre a exposição “Novo Poder: passabilidade” de Maxwell Alexandre, lembrei-me do filme e conectei as duas postagens. Essa filme mostra bem a passabilidade racial e seus efeitos.
As personagens centrais do filme são Irene (Tessa Thompson) e Clare (Ruth Negga). Irene é uma mulher negra casada com um médico negro que mora com sua família (marido e filhos) no Harlem (NY). Ela gosta de passear em Manhattan, ela não se mostra como negra. Por ter a pele mais clara, ela age como se branca (passável) fosse, fazendo compras e frequentando cafeterias. Ao que parece, por estar bem vestida, com chapéu de aba larga e luvas, os brancos sequer imaginam que Irene possa ser negra.
Clare também é uma mulher negra, mas vive e se faz passar por branca todo o tempo.
Logo no início do filme, as duas amigas negras se reencontram em um café de um hotel em Manhattan (NY). Claire reconhece Irene, que não a reconhece imediatamente. Elas não se vêem há muito tempo.
Elas vão para o quarto do hotel onde Clare está hospedada. Ela conta que é casada com um homem branco que não sabe que ela é negra. Ela tem uma filha que, segundo ela “felizmente” nasceu com a pela bem clara.
O marido de Clare chega no quarto de hotel onde as amigas estão conversando. Ele é apresentado à sua amiga Irene. Ele conta que não gosta de negros e que Clare gosta ainda menos que ele, pois sequer quer ter uma empregada negra. Ele diz nunca viu uma pessoa negra. Lembrei-me de Carolina de Jesus contando em Casa de alvenaria do motorista em São Paulo que nunca havia visto uma favela.