BRANDÃO, J.S. (1986a): BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1986. 404p. (v.1). Também disponível em: link externo. Acesso em: 7 dez. 2025.
BRANDÃO, J.S. (1986b): BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1986. (v.1 – capítulo 6 – Dos Jônios à Ilha de Creta, p.49-66).

O mito caixa de Pandora é inspiração para a caixa de Pandora da mobilidade cidadã.
Acesse também a postagem sobre “o fio de Ariadne”.
trechos do v.1:
p.62 (capítulo 6 – Dos Jônios à Ilha de Creta): […] Como a luta [entre Creta e Atenas] de prolongasse e uma peste (pedido de Minos a Zeus) assolasse Atenas, Minos concordou em retirar-se, desde que, de nove em nove anos, lhe fossem enviados sete rapazes e sete moças, que seriam lançados no Labirinto, para servirem de pasto ao Minotauro. Teseu [filho de Egeu, rei de Atenas] se prontificou a seguir para Creta com as outras treze vítimas, porque, sendo já a terceira vez que se ia pagar o terrível tributo ao rei de Creta, os atenienses começavam a irritar-se contra seu rei. Lá chegando, foi instruído por Ariadne [filha de Minos, rei de Creta], que por ele se apaixonara, como se aproximar do monstro e feri-lo. Deu-lhe ainda a jovem princesa, a conselho de Dédalo, um fio condutor, para que, após a vitória sobre o monstro, pudesse sair da formidável teia de caminhos tortuosos de que era constituído o Labirinto. Livre deste e do Minotauro, Teseu fugiu com seus companheiros, levando consigo Ariadne, […].
p.167:
Contra os primeiros [os homens] imaginou perdê-los para sempre por meio de uma mulher, a irresistível Pandora, […]
p.168:
Para perder o homem, Zeus ordenou a seu filho Hefesto que modelasse uma mulher ideal, fascinante, semelhante às deusas imortais. Pandora é, no mito hesiódico, a primeira mulher modelada em argila e animada por Hefesto, que, para torná-la irresistível, teve a cooperação preciosa de todos os imortais. Atena ensinou-lhe a arte da tecelagem, adornou-a com a mais bela indumentária e ofereceu-lhe seu próprio cinto; Afrodite deu-lhe a beleza e insuflou-lhe o desejo indomável que atormenta os membros e os sentidos; Hermes, o Mensageiro, encheu-lhe o coração de artimanhas, impudência, astúcia, ardis, fingimento e cinismo; as graças divinas e a augusta Persuasão embelezaram-na com lindíssimos colares de ouro e as Horas coroaram-na de flores primaveris… Por fim, o Mensageiro dos deuses concedeu-lhe o dom da palavra e chamou-a Pandora [nota 117], porque são todos os habitantes do Olimpo que, com este presente, “presenteiam” os homens com a desgraça. Satisfeito com a cilada que armara contra os mortais, o pai dos deuses enviou Hermes com o “presente” a Epimeteu. Este se esquecera da recomendação de Prometeu de jamais receber um presente de Zeus, se desejasse livrar os homens de uma desgraça. Epimeteu [nota 118], porém, aceitou-a, e, quando o infortúnio o atingiu, foi que ele compreendeu… (Trab. 60-89).
A raça humana vivia tranquila, ao abrigo do mal, da fadiga e das doenças, mas quando Pandora, por curiosidade feminina, abriu a jarra de larga tampa, que trouxera do Olimpo, como presente de núpcias a Epimeteu, dela evolaram todas as calamidades e desgraças que até hoje atormentam os homens. Só a esperança permaneceu presa junto às bordas da jarra, porque Pandora recolocara rapidamente a tampa, por desígnio de Zeus, detentor da égide, que amontoa as nuvens. É assim, que, silenciosamente, porque Zeus lhes negou o dom da palavra, as calamidades, dia e noite, visitam os mortais…
Foi, pois, com Pandora [nota 119] que se iniciou a degradação da humanidade. […]