OLIVEIRA, M.F. (2025m18): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Apontamentos sobre Salvador (out. 2025). LevanteBH, Belo Horizonte, 9 out. 2025 (atualizado em 4 jan. 2026).
Esta postagem contém apontamentos da visita feita a Salvador de 8 a 12 de outubro, especialmente para conhecer as linhas de bloqueio do BRT de Salvador e assistir à peça “Um julgamento – depois do Inimigo do povo”.
A seguir, observações sobre mobilidade urbana. Ao leitor desta postagem fica um alerta: esses apontamentos devem ser lidos como primeiras impressões e não como constatações científicas. Por vezes, a realidade não é apreendida com poucos olhares. Fica aqui registrado um apelo a quem conhece a cidade: usar o box “comentários” para complementar as informações e nos ajudar a conhecer a relatidade soteropolitana. Crédito das fotografias desta postagem (exceto quando indicada outra fonte): Marcos Fontoura de Oliveira – out.2025.
sobre o BRT SALVADOR e suas linhas de bloqueio

Seguindo roteiro elaborado por Guillermo Petzhold e Thamyres Azevedo (Secretaria Municipal de Mobilidade -Semob), foram visitadas algumas estações do BRT Salvador (que não criou um nome fantasia para identificar seu sistema, como fez Belo Horizonte com o seu “Move”).
Em cada estação foi inspecionada pelo menos uma linha de bloqueio. O checklist usado em BH não foi aplicado em Salvador, sendo entregue cópia a Thamyres Azevedo para que avaliem a conveniência de sua aplicação. Conclui-se que no BRT de Salvador há três tipos de linha de bloqueio, em função da localização da passagem que permite o acesso autônomo de usuários em cadeira de rodas: com uma porta em uma lateral, com uma porta em cada uma das duas laterais, com uma porta no centro. Observe-se que no BRT Move (Belo Horizonte) não há porta sem roleta no centro de qualquer linha de bloqueio (pelo menos até out.2025).
linha de bloqueio com uma porta em uma lateral: tipo 3.6 do Gabarito n.º 11a

Nessa linha de bloqueio localizada na Estação Rodoviária há sete passagens, sendo seis roletas e uma porta lateral sem catraca. Observe-se na direita da imagem que a faixa tátil (direcional azul e alerta vermelho em ambos os lados da linha) direciona as pessoas com deficiência visual para essa passagem única. Observe-se que a faixa de alerta está irregularmente distante da linhas de bloqueio (em padrão diferente de outros locais), impedindo o uso autônomo (sem acessibilidade, portanto) da pessoa com deficiência visual que esteja de posse de um cartão eletrônico. Durante a inspeção, uma funcionária mantinha-se a postos no local. Segundo ela, a porta lateral é aberta automaticamente pelo usuário (com autonomia) que possui um cartão eletrônico e é aberta manualmente por ela para quem não possui o cartão eletrônico (pessoas com mais de 65 anos que mostram documento de identificação, por exemplo, pois não há cartão eletrônico para pessoas idosas em Salvador). Durante a inspeção não foram vistos usuários usando cartão eletrônico nessa linha.
linha de bloqueio com uma porta no centro: tipo 5.1 do Gabarito n.º 11a

Nessa linha de bloqueio localizada na Estação Itaigara há cinco passagens, sendo duas roletas em cada lateral e uma porta central sem catraca. Observe-se no meio da imagem que a faixa tátil (direcional e alerta, ambas azuis) direciona as pessoas com deficiência visual para essa passagem única. Observe-se que a faixa de alerta está próxima da linha de bloqueio (em padrão diferente de outros locais), permitindo o uso autônomo da pessoa com deficiência visual que esteja de posse de um cartão eletrônico. A seguir, imagem de um estranho detalhe.

Observe-se a existência de dois pilaretas unidos por uma corrente e um cone exatamente no meio da porta central que permite a passagem de usuário em cadeira de rodas. Durante a inspeção, o funcionário que mantinha-se a postos no local alegou que “o automático estava estragado” . Em Belo Horizonte aconteceu assim no BRT Move: primeiro “o automático” estragou e um funcionário foi escalado para abrir a porta manualmente em cada linha de bloqueio, depois amarraram a porta com cadeado “para não ter evasão” e o funcionário que ali deveria estar foi deslocado para outras funções. Observe-se, ainda, que a faixa de alerta foi desnecessariamente instalada em toda a extensão da linha de bloqueio e já até soltou na lateral esquerda. Durante a inspeção não foram vistos usuários em cadeira de rodas nessa linha.
linha de bloqueio curta com uma porta em cada uma das duas laterais: tipo 4.1 do Gabarito n.º 11a

Nessa linha de bloqueio localizada na Estação ____ e na seguinte localizada na Estação ___ há seis passagens, sendo quatro roletas no centro e uma porta central sem catraca em cada uma das duas laterais. Uma grade na lateral direita de ambas as linhas, onde se vê uma cadeira vazia com funcionário em pé (imagem anterior) e uma cadeira com funcionária nela sentada é apenas uma vedação sem passagem. Observe-se que em ambas as linhas de bloqueio há sinalização tátil azul sobre piso cinza (direcional e de alerta) que direciona a pessoa com deficiência visual para ambas as portas laterias (como se uma pessoa com deficiência visual não pudesse passar por uma roleta). Como em amabas as imagens os validadores estão todos voltados para o outro lado, conclui-se que essas passagens são apenas de saída da área paga. Há que se avaliar como uma pessoa com deficiência visual saberá que nesses dois locais fotografados ela deve obrigatoriamente passar pela passagem da direita, pois a passagem da esquerda é proibida com o uso de um “x” vermelho que ela não verá.

Na fotografia a seguir, a funcionária que trabalha junto à linha de bloqueio mostra os quatro acrtões que usa para liberar passagem de usuários: cinza (para operadores), amarelo (para gratuidade de usuários acima de 65 anos), vermelho (para ___) e verde (para ___). Não ficou claro como é feito o controle de usuários com deficiência (que usam cadeira de rodas, por exemplo) e de outros com mobiliadde reduzida (gestantes, por exemplo), que precisam passar pela porta sem catraca mas não têm direito à gratuidade. Em um formulário, a funcionária registra as liberações após o uso do cartão cinza (na imagem vemos que ela liberou para “T.Salvador”, “Posso Ajudar” e “T.Card”). Fica a questão: porque os operadores não passam autonomamente os seus próprios cartões?

linha de bloqueio extensa com uma porta em cada uma das duas laterais: tipo 7.1 do Gabarito n.º 11a)

Nessa linha de bloqueio localizada na Estação ____ vemos 26 passagens, sendo treze entradas (setas verdes à esquerda) e treze saídas (“x” vermelhos à direta). Em cada extremidade há uma passagem com porta (sem roleta).
Observe-se que na extrema direita (detalhe na fotografia a seguir) há uma PASSAGEM COM ROLETA identificada como “SOMENTE GRATUIDADE” e uma passagem com porta (sem roleta) identificada como “SOMENTE PREFERENCIAL”. Ficam as questões: 1) que tipo de usuário pode/deve usar cada uma dessas duas passagens?, 2) passageiros com cartão eletrônico de gratuidade não podem usar as demais passagens (mais centrais)?, 3) porque a faixa tátil direcional azul leva o usuário com deficiência visual para embarcar na passagem “somente preferencial” na extremidade da linha de bloqueio?
Observe-se que na extrema esquerda (detalhe na fotografia a seguir) há uma passagem com porta (sem roleta), também sinalizada com faixa tátil direcional azul. No sentido da fotografia é uma passagem de saída, mas provavelmente, no outro sentido (que será de entrada) há as mesmas sinalizações de “SOMENTE GRATUIDADE” e “SOMENTE PREFERENCIAL”.


sobre mapa tátil em estações
sobre porta de embarque preferencial em estações
sobre existência de cadeira de rodas em estações
sobre piso de alerta sem direcional em estações
sobre fronteita nas estações
sobre sinalização “dê a preferência ao deesembarcar” em estação
sobre informação tátil em barra de apoio vertical nos ônibus
sobre uso de Cobogó em estação de BRT
sobre equipamento de lazer em estação de BRT
sobre linha de bloqueio em edificação
sobre assento preferencial nos ônibus
sobre gratuidade para pessoa idosa nos ônibus fora do BRT
sobre “mais segurança para elas” nos ônibus
sobre distância mínima entre piso direcional e piso de alerta
sobre piso tátil em duas cores e dois tons de azul em uma mesma linha
sobre estacionamento reservado (pessoa idosa e pessoa com deficiência)
sobre estacionamento reservado PLIM – Posto Local de Identificação da Marinha (pessoa idosa)
sobre estacionamento reservado (gestante)
sobre compartilhamento irregular de estacionamento reservado (pessoa idosa e pessoa com deficiência)
estacionamento para autoridades
sobre pictograma de “laço de fita” em embarque prioritário no aeroporto de Salvador
sobre “precisando de apoio” com pictogramas de “laço de fita” no aeroporto de Salvador
sobre piso tátil nas calçadas
sobre piso tátil nas calçadas com pedra portuguesa
sobre faixas de pedestre sobre calçadas com piso tátil
travessia de pedestres com “escorrega”
travessia de pedestres em rua de paralelepípeto
travessia acessíveis com fundo verde-cana
sobre requalificação no Rio vermelho
Outros locais visitados: Museu da Misericórdia (com Estátua da Esperança e corrimãos acessíveis), Palacete tira-Chapéu, Elevador Lacerda (uso gratuito para todas as pessoas), Mercado Modelo, “Sob o céu da Bahia” de Mario Cravo Neto, Fera Palace Hotel (com fotografia de transporte em rede), MAM – Solar do Unhão (com exposição “O avesso do tempo”), Casa do Rio Vermelho (com rebaixo irregular em calçada), comunidade embaixo de viaduto na Gamboa, Igreja Nosso Senhor do Bonfim (rampa para com acesso lateral), Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia.