OLIVEIRA, M.F. (2000a): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Gratuidade no sistema público de transporte de passageiros em Belo Horizonte: privilégio ou instrumento de justiça social? 2000. 205f. Dissertação (Mestrado em Administração Pública – área de concentração: Gestão de Políticas Sociais) – Escola de Governo, Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte, 2000. Disponível para baixar em: internet-Biblioteca-Digital-Estado-MG. Acesso em: 29 mar. 2017 e 18 abr. 2019.
Essa referência está citada no verbete de gratuidade no transporte público coletivo urbano de Belo Horizonte e deu origem ao livro “Transporte, privilégio e política”.
trechos (alguns poucos):
p.16:
Em O bonde de segunda classe é possível conhecer um pouco da história deste modo de transporte no Brasil, além de constatar que não eram apenas os pobres que utilizavam o serviço, uma modalidade de transporte coletivo que surgiu para oferecer opção mais barata de deslocamento em muitas cidades. Afinal, Machado de Assis, após a morte de sua esposa Carolina, foi obrigado a utilizar o serviço quando ia ao cemitério levar flores: quem carregava em brulhos não era considerado cidadão de primeira classe. [nota 10 = Para um outro momento, ficará a tentativa de se compreender outras questões, como o que terá pretendido Tarsila do Amaral, cm 1933, em seu famoso óleo Vagão de Segunda Classe, quando retratou Luís Carlos Prestes dentro de um trem a observar uma família de retirantes na plataforma de um estação (obra exposta na Mostra do Redescobrimento, realizada pela Fundação Bienal de São Paulo de 23 abr. a 7 set.2000 no Parque lbirapuera – São Paulo).
p.24:
1929: Neste ano parece ter surgido em Belo Horizonte – tardiamente em comparação com outras cidades brasileiras – o bonde de segunda classe [nota 25], juntamente com o primeiro aumento, na história da cidade, das tarifas de energia elétrica e de bondes. A medida dobrou o preço das passagens, de 100 para 200 réis, em conseqüência das despesas ocorridas com reforma recente dos serviços de luz, força e viação. A imprensa, ao mesmo tempo cm que reconhecia os melhoramentos feitos pelo Estado no transporte coletivo, questionava se o aumento dos preços significava um
compromisso com o fornecimento de serviços de transporte confiáveis e alertava quanto ao perigo de represálias populares por parte da classe operaria e acadêmica (AUGMENTO…, 1929).
p.55-56: Oferecido, de um a maneira geral, a categorias que não necessariamente precisassem do desconto para utilizar os serviços de transporte, a instituição do desconto no Brasil procurou beneficiar, focalizadamente, as pessoas com menor poder aquisitivo em apenas dois momentos da história: na década de 80, quando foi criado o [fim da p.55] vale-transporte e no princípio do século, quando criou-se o bonde de segunda classe [nota 78], modalidade urbana do trem de segunda classe.
[nota 78 = Parece terem existido, ainda, bondes de terceira classe em algumas cidades brasileiras. Em Recife, no transporte por bonde a vapor, “o material rodante cm 1872 já se compunha de seis locomotivas, 18 carros de primeira, seis de segunda e seis de terceira classe” (STIEL, 1984: 287). Medida oposta ao bonde de segunda classe foi a implantação dos fresquinhos em 1978, que duraram até 1980, que surgiram para oferecer um serviço de melhor qualidade para quem se dispusesse a pagar mais (DUARTE, SALUM e RIBEIRO, 1999: 44-46).]
p.135-137:
Anexo 1
O bonde de luxo
p.138-142:
Anexo 2
O bonde de segunda classe
O bonde de segunda classe