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Galimatias
ga·li·ma·ti·as
sm
Discurso muito palavroso, confuso, obscuro e ininteligível.
EXPRESSÕES
Galimatias duplo: discurso que ninguém entende, nem mesmo quem o faz.
Galimatias simples: discurso compreendido só por quem o faz.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: galamatias.
ETIMOLOGIA
fr galimatias.
Conheci a palavra galimatias, um substantivo masculino, na exposição “100 anos modernos” mo MIS-SP em junho/2022. Foi quando aprendi que Oswald de Andrade transformou a palavra em Galli Mathias.
Segundo Marcia Tilburi (link para matéria 24/07/206 na Folha) em matéria sobre o livro “Antropofagia – Palimpsesto Selvagem” (Cosac Naify, 2016, 240 p.):
[…] É na prática de uma paciência antropofágica que [Beatriz] Azevedo nos dirá de “galimatias”. O discurso incompreensível que Oswald devora no ato mesmo de separar a palavra em duas e transformá-la em personagem. Galli Mathias, criação de Oswald, é aquele que, antes de ser devorado, explicou-lhe o direito como possibilidade. Azevedo faz como Oswald, lê o “Manifesto” separando as partes. Ritualiza assim a leitura, oferecendo-nos os sabores mais incomuns do texto potencializados também para perturbar o paladar domesticado de nossa época. […].
para citação do artigo de Tiburi
TIBURI, M. (2016): TIBURI, Marcia. Antropofagismo de Oswald de Andrade ainda é antídoto para a colonização. Folha de S.Paulo, São Paulo, 24 jul. 20216. Disponível em: link externo. Acesso em: 14 jun. 2025.
observação: Referência de pelo menos uma versão da Introdução do Relatório Final da pesquisa.
ponto de atenção (superado em 14/06/2025):
Fiquei pensando, e querendo, usar esse conhecimento no relatório do meu pós-doc ao falar das minhas notas técnicas da série NTL. Pretendo escrever de forma que elas não sejam um galimatias. O meu texto, a despeito de científico, não será palavroso, confuso, obscuro e ininteligível. Ele precisa ser compreendido por qualquer pessoa que o leia e não apenas por urbanistas, gestores públicos e cientistas sociais. A “acessibilidade com desenho universal na cidade”, que é meu objeto de pesquisa, é decomposta em quase vinte notas técnicas. Trata-se de uma estratégia: dividir as partes como se autônomas fossem, para mostrar que os assuntos delas estão todos embrincados uns nos outros. Afinal, não é possível resolver a questão dos ônibus, trocando toda a frota, deixando de lado o comportamento dos motoristas; não é possível reformar todas as calçadas, resolvendo um grande problema, se esquecendo que há pessoas sem teto que vivem nas ruas, com barracas nas calçadas.