A imagem no topo deste verbete foi criada pela Pallavra Comunicação especialmente para este verbete. Em alusão a uma entrevista transmitida no Canal Drag do YouTube, ela mostra uma Drag Queen (em alusão a Rita von Hunty) entrevistando um homem negro (em alusão a Douglas Barros).
BARROS, D. (2024a): BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024. 208p. [livro comprado na Amazonas (on-line) por R$50,40+8,75(frete) em 08/02/2025; chegou em 12/02/2025].
- VON HUNTY, R. (2024a): VON HUNTY, Rita. Prefácio: Muito barilho por nada (?). In: BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024. p.13-30
BARROS, D. (2024b): BARROS, Douglas. Entrevista conduzida por Guilherme Terreri sobre o livro “O que é identitarismo?”. vídeo, cor, 1h34’5”. You Tube – canal TV Boitempo (em parceria canal Tempero Drag), 4 nov. 2024. Disponível em: link externo. Acesso em: 8 fev. 2025.
BOSCO, F. (2025): BOSCO, Francisco. Identitarismo é fenômeno neoliberal para frear ação comum, avalia autor. Folha de S.Paulo, São Paulo, 7 fev. 2025. Caderno Opinião. Disponível em: link externo. Acesso em: 8 fev. 2025.
ponto de atenção – NTL n.º 3 (motivado pela leitura do livro): O direto à acessibilidade não pode se contentar com a adoção, na cidade, dos requisitos mínimos de acessibilidade estabelecidos em normas. Esses mínimos não são capazes de garantir o direito à cidade promovido pelo desenho universal (que se ampara em sete princípios). Exemplifiquemos. A PBH autorizar a operação de ônibus urbanos com elevador em Belo Horizonte (que é um fato), pois “a topografia de Belo Horizonte é difícil” ou porque “ônibus com embarque em nível custam caro” é sinônimo de se abrir mão dos ônibus de piso baixo que, junto a muitas outras intervenções igualmente necessárias, serão capazes de dar a todas as pessoa as condições de usar o transporte coletivo com autonomia e segurança a qualquer momento.
trecho do livro no website da Editora Boitempo (link externo):
Na aurora da modernidade, a exploração de novos continentes faz emergir a noção racial como construção identificatória para gerir os territórios invadidos. Esse esforço administrativo nos remete ao complexo da diferença identitária, no qual a identidade (dos outros povos), no imaginário europeu, se torna fechada à processualidade histórica. É a coisificação da diferença inerente aos grupos humanos não europeus em relação a eles: os colonizadores, para justificar a dominação dos “novos” mundos, atribuem à diferença, identificada nas comunidades fora da Europa, uma ideia de inferioridade, e fazem dela a representação imaginária na qual a gestão se baseará. Sob a sombra dessa identificação, que precisava reduzir, através do conceito, a multiplicidade à unidade, a noção racial tornou-se o solo da modernidade. Não por acaso, o conceito de raça aparecerá só no século XV, como uma corruptela do latim rationis, e servirá para consolidar uma cisão entre grupos humanos distintos.”
resumo da entrevista do autor no YouTube:
Na última década, um termo tem se proliferado de maneira espantosa no discurso político. Moralmente carregado e lançado a torto e a direito em disputas de internet, mesas de bar, espaços acadêmicos e palanques políticos. Mas, afinal, o que é identitarismo? Neste livro, o psicanalista Douglas Barros propõe uma interpretação original do fenômeno. Para ele, o termo nomeia sobretudo uma forma de gestão da vida social contemporânea que engole esquerda e direita.
resumo da matéria na Folha de S.Paulo:
Francisco Bosco – Doutor em teoria literária pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e ensaísta, foi presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes) de 2015 até o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Autor, entre outros livros, de “O Diálogo Possível: Por uma Reconstrução do Debate Público Brasileiro”
[RESUMO] No livro “O que é Identitarismo?”, Douglas Barros insere-se no campo das críticas progressistas ao conceito, sustentando-o como epifenômeno do neoliberalismo. Para o autor, a identificação, abertura constitutiva ao outro que ampara o vazio originário, transforma-se em delírio egoico quando o sujeito se fecha em uma identidade fixa. Esse fenômeno, alimentado pelas redes sociais e sua lógica do imediato antirreflexivo, resulta na ilusão de identidade plena, na qual o sujeito crê ter encontrado sua unidade impossível, enquanto a razão neoliberal se aproveita de particularismos irredutíveis de forma a impedir a ação comum.
trecho da matéria na Folha de S.Paulo:
Seu argumento central é que o identitarismo é um epifenômeno do neoliberalismo, um sintoma da nova razão do mundo formulada no pós-guerra, sobretudo por Hayek, e implantada como programa político e ideologia na era Thatcher-Reagan-Friedman.
trechos do livro selecionados por Marcos Fontoura:
p.17: […] É o caso dos “modelos sociais de deficiência”[nota 12], que elegem um funcionamento dos corpos como ideal (leia-se ideal para a extração de mais-valor, ideal para a ausência de políticas públicas, ideal para o funcionamento “autossuficiente” dos corpos), e, assim, transformam qualquer outro corpo em “deficiente”.
nota 12: David Pavón-Cuéllar e Ian Parker […] p.75.
p.19: […] É urgente que a esquerda radical ofereça uma saída ao impasse que o neoliberalismo impôs ao capturar as pautas identitárias. […]
p.23: […] a identidade é uma ilusão subjetivamente necessária. […]
p.25: […] Assim, enquanto o processo de identificação pela busca de identidade é uma ilusão necessária – uma vez que o indivíduo sabe dos seus limites, da sua constante mudança causada pela experiência e da abertura que demarca a falta de essencialidade de si -, o identitarismo é um delírio: nele se julga já se ter encontrado o objeto, e, portanto, o outro, a diferença, é sempre uma ameaça.