SPADACCINI, J. (2026): SPADACCINI, Julia. Surda. “Surda”. Direção: Debora Lam. Atuação: Benedita Casé Zerbini. Belo Horizonte, Centro Cultural Unimed-BH Minas, 12 set. 2026.

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09 de maio a 28 de junho 2026
Texto autobiográfico de Julia Spadaccini “SURDA”, com direção de Debora Lam e atuação de Benedita Casé Zerbini, estreia dia 09 de maio no Teatro Poeirinha.
Uma invasão de sons que só Ela escuta – revoada de pássaros, apitos, sirenes, máquina de lavar, vozes de um casal brigando, piano – era o sinal de alerta de que algo estranho estava acontecendo. Na busca por um diagnóstico médico, Ela recebe a notícia de que seu problema era auditivo, já tinha perdido parte de sua audição e tudo indicava que continuaria perdendo até se tornar surda profunda. Como pode? Surda? Mas Ela escuta sons fortes e presentes, não consegue mais ter nenhum momento de silêncio. Uma revelação que surpreende: “quanto mais você perde o som das coisas, mais você ganha sons da sua cabeça…”.
“SURDA” narra a história de uma mulher as voltas com a perda da sua audição. A trama mostra flashes desse processo e os impactos causados tanto no seu núcleo familiar e afetivo, quanto na sua vida profissional. Na montagem dirigida por Debora Lam, a cena é construída da fusão do teatro com recursos de vídeos e efeitos sonoros. Para a diretora “SURDA” “é uma experiência teatral que valoriza a linguagem da diferença como potência poética e política, abrindo espaço para uma escuta mais ampla da diversidade sensorial humana”.
Carregada de empatia, afeto, humanidade, humor e informação “SURDA” é um texto autobiográfico de Julia Spadaccini, renomada autora teatral e roteirista de cinema e televisão, que pela primeira vez fala sobre a sua própria deficiência. Em cena Benedita Casé Zerbini, jovem artista que em “SURDA” estreia no teatro. Ambas trazem para a cena suas próprias experiências de vida. Para Benedita Casé Zerbini “SURDA” “abre um espaço importante para o diálogo sobre o capacitismo”. Ainda nas palavras dela: “Eu sou uma surda oralizada, uso aparelho auditivo desde os 3 anos de idade. Eu tenho uma surdez bilateral severa e profunda nos dois ouvidos, e eu lido com o capacitismo desde que eu me entendo por gente. E essa peça fala muito sobre isso de um jeito muito interessante, tem senso de humor e leveza. Podemos falar sobre deficiência e capacitismo, assuntos sérios e relevantes, de forma leve e poética”.
“SURDA” pretende desmitificar a palavra que dá nome a peça, e proporcionar ao público, meios para compreender a complexidade da surdez, que não é limitada a língua de sinais, mudez, escola especial, leitura labial. “SURDA” pretende sensibilizar o espectador a olhar a pessoa antes do deficiente auditivo, bem como, ajudar a quebrar as barreiras atitudinais presentes na nossa sociedade, muitas vezes despercebidas e ignoradas por quem ouve.
Depoimento de Julia Spadaccini
Para a grande maioria das pessoas, surdo é aquele que não fala, que se comunica pela língua de sinais ou libras. Nasce, assim, com esse “defeito”. E se o surdo não se apresentar como tal, fazendo um convite à generosidade do interlocutor, é possível que ninguém perceba sua deficiência. Há quem não entenda por que quem fala não consegue ouvir. Falta interesse, informação e representações. Surdez oralizada é o que eu vivo. Eu falo e ao mesmo tempo tenho uma surdez profunda que cria uma série de obstáculos na minha comunicação. Essa é a primeira peça que escrevo falando da minha própria deficiência, pois percebi uma enorme necessidade de esclarecer o dia a dia do surdo que ouve, diferente do que nasce surdo. Surdos que ouvem, passam facilmente pelos ambientes sem serem notados como deficientes, quase invisíveis. Por outro lado, a barreira que se cria é quase intransponível, pela falta de conhecimento sobre o assunto. Daí vem a importância de se falar das deficiências com mais aprofundamento. A peça busca criar uma ponte real entre surdos e ouvintes. Um convite a viver a experiência do outro, quebrar preconceitos e construir laços.
Currículo Julia Spadaccini
Julia Spadaccini nasceu no Rio de Janeiro, tem 46 anos, é formada em Artes Cênicas pela UNI-RIO, em Psicologia pela USU e Pós-graduada em Arteterapia pela Cândido Mendes. No teatro, Julia é autora de mais de 20 peças encenadas no Rio de Janeiro e em viagens pelo Brasil. Na TV foi roteirista da série “Oscar freire 279” (Multishow – 2011); do programa “Aprender a Empreender” (Canal Futura – 2010); “Básico” e “Quase Anônimos” (Multishow – 2009). Foi integrante do site “Dramadiário” durante 3 anos. Trabalhou como Roteirista dos Gibis da Editora Globo (2006/07). Como roteirista contratada na produtora Jodaf Mixer e Conspiração Filmes (2008/09). Participou da oficina de teledramaturgia da Rede Globo (2010). Foi roteirista dos gibis “Luluzinha Teen” da Ediouro (2009-2011). Indicada aos prêmios Shell (2012). APTR, CESGRANRIO (2013). Vencedora do prêmio Fita (2013). Vencedora do prêmio Shell como melhor autora carioca (2013) pela peça “A Porta da Frente”. Com a peça “Euforia” (2019) foi indicada ao prêmio Cesgranrio como melhor autora. Uma das autoras da peça “PI”, dirigida por Bia Lessa e vencedora do prêmio APCA de melhor espetáculo. Foi roteirista programa “Tapas e Beijos” (Rede Globo 2013-2015) e da série “AMORTEAMO” (Rede Globo 2015). Uma das roteiristas de “Chacrinha – O Velho Guerreiro” filme e série para TV Globo vencedor do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro (melhor roteiro). Criadora e roteirista das duas temporadas da série SEGUNDA CHAMADA da Rede Globo (2019/2020), vencedora dos prêmios APCA de melhor série e ABRA de melhor roteiro de série (2020/2021). Em 2024 foi indicada ao prêmio Shell com a peça “Meu Corpo Está Aqui” e ao prêmio APTR de teatro.
Currículo Debora Lam
Mais de 40 espetáculos como atriz e diretora teatral, Debora Lamm também é integrante e fundadora da Cia OmondÉ.Diversos personagens no cinema, entre eles as protagonistas do sucesso de bilheteria “Muita Calma Nessa Hora”, do premiado “Seja o Que Deus Quiser” de Murilo Sales, sua parceria com a diretora Júlia Rezende em “Como é Cruel Viver Assim”, lhe rendeu a indicação de melhor atriz no festival internacional de cinema da África do Sul.É uma das protagonistas do sucesso de público e crítica da Netflix “Todo Dia a Mesma Noite”, série ficcional baseada na tragédia da Boate Kiss e do próximo lançamento da Conspiração Filmes e do Globoplay “Juntas e Separadas”.Na TV Globo, atuou entre séries e novelas com Mauricio Farias, Walter Carvalho, Dennis Carvalho, Antônio Calmon, Denise Saraceni, Zé Luís Villamarim, Flávia Lacerda, Gilberto Braga, Amora Mautner, Guel Arraes, entre outros. Nos últimos anos participou da novela de Manuela Dias “Amor de Mãe”, “Quanto mais Vida Melhor” com direção de Alan Fiterman, da minissérie “Histórias Impossíveis” com direção de Luisa Lima, da novela “Mania de Você” de João Emanuel Carneiro e mais recentemente fez parte da equipe de direção do último projeto de humor de Jorge Furtado e Regina Casé.Durante 4 anos, ao lado de Bruno Mazzeo, encabeçou o primeiro programa de dramaturgia da TV a cabo brasileira, o sucesso Cilada que, recentemente, depois de 15 anos voltou em edição comemorativa com mais duas temporadas inéditas pelo Multishow e Globoplay. No teatro foi dirigida por Domingos Oliveira, Monique Gardenberg, Hamilton Vaz Pereira, Adriano Guimarães, Inez Viana, Ivan Sugahara, César Augusto, Guida Vianna, Cacá Mourthe, Guilherme Leme Garcia, Georgette Fadel, Grace Passô, entre outros. Sua carreira como diretora teatral começa em 2013. Já esteve à frente de quinze montagens teatrais que lhe renderam indicações e prêmios, sendo as mais recentes “Gostava mais dos Pais” com Bruno Mazzeo e Lúcio Mauro Filho, “Férias” de Jô Bilac com Drica Moraes e Fábio Assunção, que dirigiu juntamente com Enrique Diaz e “Toda Donzela tem um pai que é uma Fera” de Glaucio Gil projeto de reabertura do Teatro Glaucio Gil no Rio de Janeiro. Em 2025 completa 28 anos de carreira.
Currículo Benedita Casé Zerbini
Benedita Casé Zerbini é uma profissional multifacetada no campo audiovisual, atuando como diretora, roteirista, atriz e palestrante. Formada em Design pela PUC-Rio, iniciou sua carreira na TV Globo como pesquisadora e assistente de direção, e mais recentemente estreou como atriz no cinema, ampliando ainda mais sua atuação no setor e reforçando seu compromisso com narrativas que valorizam a diversidade. É sócia-fundadora da BEIJO Produções, onde desenvolve projetos que abordam temas sociais relevantes, com ênfase na inclusão e representatividade. Surda oralizada e mãe de um menino de sete anos, Benedita utiliza sua experiência pessoal para enriquecer suas produções e palestras, promovendo a conscientização sobre o capacitismo e a importância da diversidade no audiovisual.
“90 Decibéis” (2024) – ATRIZ PROTAGONISTA. Estreia como atriz no longa-metragem produzido pelos Estúdios Globo, interpretando uma advogada que perde a audição gradativamente.
“PCD POD” (2023) – APRESENTADORA. Primeiro videocast brasileiro escrito e apresentado por pessoas com deficiência, disponível no YouTube e Spotify. Premiado em duas categorias no Rio Web Fest de 2023.
“Pai é Pai” (2024) – DIRETORA. Programa para o GNT que aborda a paternidade preta, desconstruindo estereótipos e promovendo narrativas afetivas. Entre outros.
FICHA TÉCNICA
Texto Julia Spadaccini
Direção Debora Lam
Atuação Benedita Casé Zerbini
Intérprete de libras Diana Dantas
Colaboração Artística Cristina Moura
Assistência de direção Laura Araújo
Preparação vocal Leila Mendes
Pesquisa dramatúrgica Márcia Brasil
Cenografia Aurora Campos
Assistente de cenografia Rachel Merlino
Projeções e vídeos Camilla Lapa
Figurinos Carla Costa
Trilha Musical Dany Roland
Iluminação Ana Luzia Molinari de Simoni
Operação de Luz Bruno Aragão
Operação de som e vídeo João Benna
Cenotécnico Beto Almeida
Fotógrafo Rodrigo Menezes
Designer gráfico Brunella Provvidente
Assessoria de Imprensa Patrícia Casé
Direção de produção Dadá Maia