NEUENSCHWANDER, R. (2002): NEUENSCHWANDER, Rivane. Chove chuva / Rain Rains (2002). highlike, s.l., s.d. Disponível em: link externo. Acesso em: 20 nov. 2024.
comentário: Eu tenho uma monstra marinha que ganhei no Instituo Tomie Ohtake, que guardo em uma caixa. Contei isso pessoalmente para a artista em 19/10/2024 na abertura de sua exposição individual “Tangolomango” no Inhotim. Ela me disse, carinhosamente: – Que pena que não tenho mais outras monstras para lhe dar. Eis a minha, que guardei por muito tempo como uma joia dentro de uma caixa fechada, com receio de que se rompesse:

trecho:
Em suas instalações, fotografias, objetos, colagens, vídeos e desenhos, Neuenschwander apresenta aos espectadores aquilo que os circunda, mas que passa quase sempre despercebido. A questão da linguagem é central em sua obra. A artista se utiliza de alfabetos, mapas, calendários e outros códigos de representação verbal e não-verbal. Freqüentemente outras pessoas são envolvidas no processo de elaboração da obra, o que torna ambígua a questão da assinatura/autoria. O próprio público pode ser responsável pela efetivação da obra, durante sua exposição.
[…]
Na nova exposição no Galpão Fortes Vilaça, em São Paulo, há pelo menos um convite escancarado. Trata-se de Monstra Marinha, em que moedas de sal são fabricadas por um profissional em uma prensa hidráulica. Os visitantes da mostra podem levar para casa cinco modelos diferentes das esferas, cada um deles com um animal estampado, todos tirados de documentos e cartografias do século 16. Só a escolha do sal como matéria-prima já atribui ao trabalho diversas camadas de leitura: o mineral chegou a ser usado como forma de pagamento em tempos antigos e remete ainda ao próprio oceano, que o homem teve de desbravar a fim de conhecer melhor o mundo. Ao pegar uma moeda, o visitante inicia de imediato uma relação de cumplicidade com Rivane. Expostas à umidade excessiva, as esferas se desmancham. Se manuseadas sem certo cuidado, podem rachar. Mas, tirando atropelos dessa ordem, devem durar bastante. Colocando uma moeda na mão de cada espectador, a artista compartilha uma responsabilidade. É como se sussurrasse ao ouvido de seus novos parceiros: “Que destino vamos dar ao objeto?”