OLIVEIRA, M.F. (2025h9): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Avaliação (1) de checklist de acessibilidade para aplicação na Estação Vilarinho. Belo Horizonte, 28 mar. 2025 (e-mail).
OLIVEIRA, M.F. (2025h10): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Avaliação (2) de checklist de acessibilidade para aplicação na Estação Vilarinho. Belo Horizonte, 17 abr. 2025 (e-mail).
OLIVEIRA, M.F. (2025h18): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Laudo (sobre) Metrics Estação Vilarinho. Belo Horizonte, 16 jul. 2025 (e-mail).
OLIVEIRA, M.F. (2025h20): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Solicitação (1/3, 2/3 e 3/3) de informações sobre linhas de bloqueio da Estação Vilarinho. Belo Horizonte, 17, 18 e 22 jul. 2025 (e-mail).
OLIVEIRA, M.F. (2025h21): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Vistoria na Estação Vilarinho. Belo Horizonte, 23 jul. 2025 (e-mail).
pendente OLIVEIRA, M.F. (2025h22): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Recomendações e comentários sobre laudo Metrics (Vilarinho). Belo Horizonte, 6 e 20 ago. 2025 (e-mail).
MATA, E.J. (2025): MATA, Everaldo José da. Respostas (1/3 e 2/3 e 3/3) a solicitação de informações sobre linhas de bloqueio da Estação Vilarinho. Belo Horizonte, 17, 21 e 23 jul. 2025 (e-mail).
texto do e-mail de 28 mar. 2025:
[…]
Em seu e-mail, é solicitado que a CPA-BHTrans analise o “Check List feito pela Metrics para aplicar nas áreas de terminais do Shopping Estação. Foi feito com base no laudo da WRI para o BRT”. Junto à sua solicitação está anexado um arquivo em excel com o nome “checklist para avaliação arquitetônica”. Como dito, novamente, a seguir, peço-lhe que tome as observações aqui apresentadas como comentários e não como uma análise completa do documento recebido. Sabemos que isso demandaria um tempo de análise por parte da CPA-BHTrans e, nesta etapa, a SMMUR certamente não pode esperar. Por isso, respondo-o hoje, com o apoio inicial apenas de Socorro Pirâmides, pedindo aos demais membros da CPA-BHTrans e dos coordenadores das demais CPA da PBH que complementem a presente resposta, se for o caso.
Iniciemos a análise. Se o checklist da Metrics tomou como base apenas o elaborado pela WRI em 2016, certamente teremos problemas à frente, pois ele era, assumidamente, restrito a determinados aspectos que escolhemos inspecionar no BRT Move de Belo Horizonte. Além disso, diversos requisitos de acessibilidade foram alterados depois de 2016. Por isso, inicialmente pergunto: que outros checklists foram também consultados? E qual é o conjunto de regulamentações analisado pela Metrics para delas extrair os requisitos de acessibilidade e de desenho universal que compõem o seu checklist? Desde já, destaco um importante checklist para edificações elaborado pelo MDHC que, se não foi, deveria ter sido consultado (clique aqui para acessar). O formato desse laudo é bem melhor que o proposto pela Metrics, facilitando a apuração de indicadores que permitem análises pontuais e comparativas. Digo por experiência própria: o checklist do WRI exigiu de mim, em 2016, um grande esforço de análise que teria sido simplificado caso o formato tivesse sido o do MDHC (que não existia, à época).
Como não sei o que significa, exatamente “áreas de terminais” do texto da sua solicitação, estou entendendo que a Metrics ainda elaborará outros checklists para aplicação em outras áreas da Estação Vilarinho. Além disso, pelo nome do arquivo anexado, entendo que a pretensão do checklist é apurar apenas as barreiras arquitetônicas das áreas de terminais da Estação Vilarinho e, por isto, a Metrics ainda elaborará outros checklists para a apuração das demais barreiras. Estou correto nas minhas conclusões? Para facilitar sua resposta, peço que tome como referência como a LBI (marco legal central da acessibilidade no Brasil), em seu art.3º, define e classifica “barreiras”:
V – barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em:
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo;
b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados;
c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes;
d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação;
e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas;
f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias.
Outra consideração inicial importante é que a aplicação de um conjunto de checklists a serem aplicados nas diversas partes da Estação Vilarinho é apenas uma etapa intermediária da elaboração do laudo de acessibilidade, que será elaborado com base no diagnóstico de governança e nos checklists. Na minha avaliação, antes dos checklists seria necessário elaborar o diagnóstico de governança. Por isso, em meu e-mail anterior eu sugeri que a CPA-BHTrans iniciasse o apoio à SMMUR/Sumob pela análise do plano de trabalho. Como não o recebemos, aproveito para perguntar quando serão realizadas as entrevistas qualitativas e quantitativas com usuários e trabalhadores da Estação Vilarinho. Invertendo-se a ordem natural de elaboração de um laudo de acessibilidade, começando por um dos muitos checklists a serem aplicados, corre-se o risco de, mais adiante, constatar-se a necessidade de elaboração/aplicação de novos checklists e novas entrevistas, o que gerará retrabalho e atraso nos prazos.
Feitas essas considerações iniciais, vamos à leitura do que considero ser a proposta de “checklist de barreiras arquitetônicas nas áreas de terminais da Estação Vilarinho”. Destaque-se: estou entendendo que todas as abas desse checklist serão aplicadas, separadamente, em três espaços, quais sejam: Estação BHBus Vilarinho, Estação Metrô Vilarinho e Estação Metropolitana Vilarinho. Cada espaço gerará os seus próprios resultados que, no laudo de acessibilidade, serão comparados. Bem sabemos que a superação das inconformidades na parte metropolitana, por exemplo, serão de responsabilidade da Seinfra-MG. No entanto, o nosso laudo de acessibilidade precisa conter os diagnósticos das três partes da Estação Vilarinho.
Como antecipado, peço que tome as observações que seguem como comentários e não como uma análise completa do documento recebido. Se necessário, podemos nos reunir remota ou presencialmente para dirimir alguma dúvida:
- qualquer checklist de acessibilidade, quando formatado no excel, precisa conter (em cada aba, quando usada mais de uma) um cabeçalho com os dados básicos (exemplo: dados do objeto inspecionado, nome/registro profissional do inspetor, data de inspeção etc), que permitam saber, facilmente, o que ele pretende medir e, uma vez aplicado, quem mediu e quando mediu;
- recomenda-se usar o checklist do MDHC como benchmark de formato (sem ignorar que o arquivo desse link é de 2020 e, portanto, precisa ser atualizado);
- não encontrei (pode ser que haja e eu não tenha visto) nas abas do checklist qualquer menção a cada um dos sete princípios do desenho universal (pareceu-me que o checklist presta-se a avaliar apenas requisitos mínimos, mas a legislação vigente exige avaliação dos requisitos máximos para se elaborar um laudo que, na fase de escolha das alternativas para superação das inconformidades, possa sustentar propostas (para aprovação do órgão público competente) de adoção de alguma adaptação razoável (que, por definição, é sempre temporária);
- não encontrei (pode ser que haja e eu não tenha visto) que avalie, pontualmente, barreiras pontuais às pessoas com deficiência auditiva, com deficiência intelectual/mental e autistas (como são muitas abas e muitos itens em cada uma, recomendo que haja uma aba, no formato de um índice, que apresente onde estão os itens que avaliam cada tipo de usuário, lembrando que uma pessoa obesa tem necessidades que um autista necessariamente não tem, e vice-versa; por outro lado, um requisito de desenho universal atende qualquer pessoa);
- cada aba deve ter um nome que identifique o seu conteúdo (é ruim o uso de nomes iguais seguidos de números sequenciais como usado pela Metrics, que exigem a abertura de cada aba para saber qual é o seu conteúdo);
- a aba “itens de consulta” (última aba da Metrics) com parâmetros do WRI (2016) é desnecessária e deve ser substituída por um índice (como primeira aba) do conjunto de abas do checklist;
- em vez da coluna “observado” (onde o inspetor registra S/N/na) sugere-se usar três colunas como no checklist do MDHC, o que facilitará em muito a apuração dos índices de conformidade apurados (que vão constatar as necessidades de intervenções capazes de majorar os resultados para 100%, sempre que apurado resultado menor);
- deve haver uma coluna com o nome “medição” para lançamento dos itens para os quais há dados quantitativos medidos e lançamento de “não se aplica” quando for o caso (caso contrário, na etapa de elaboração do laudo não haverá elementos suficientes para as recomendações – exemplificando: é insuficiente constatar que uma determinada rampa atende ao requisito de 8,33% de inclinação máxima, pois as soluções para superação da inconformidade detectada são muito diferentes se a inclinação for 9% ou 20%);
- a coluna “fonte” deve ser renomeada para “item inspecionado” e todos os itens devem ser apresentados na forma de perguntas (o checklist Metrics usa, ora, uma pergunta, ora uma afirmação);
- deve-se incluir a coluna “fonte” com a regulamentação ou referencial de excelência (benchmark) que sustenta a formulação do item (com detalhamento de ano, inciso, parágrafo, artigo etc. e, preferencialmente, com o link para consulta imediata para conferência): isso facilita para o inspetor, caso tenha dúvida no momento da aplicação e para quem vai analisar antes/depois o checklist (tanto a própria Metrics, quanto o Shopping Estação e o gestor público SMMUR/Sumob/BHTrans) – essa coluna fonte é fundamental para que se possa dar um “de acordo” antes da aplicação do checklist;
- recomenda-se que o campo observação seja renomeado para “observação e/ou fotografia), pois por vezes uma imagem informa mais ou complementa uma informação textual;
Por fim, para melhor entendimento das minhas observações, reproduzo a seguir alguns trechos do Estudo Técnico Preliminar (de 26/08/2024) para elaboração do edital de licitação para contratação de consultoria para superar todas as inconformidades das nossas estações de integração de Belo Horizonte (excetuando a Estação Vilarinho, que está a cargo do Shopping Estação e sob a responsabilidade da SMMUR/Sumob):
“O diagnóstico da governança e os laudos de acessibilidade das estações sustentarão a elaboração do Laudo de Acessibilidade das Estações de Integração do Transporte Público de Belo Horizonte objeto do presente estudo preliminar. O laudo de acessibilidade de cada estação é um diagnóstico robusto com o detalhamento de todas as barreiras/inconformidades que atualmente impedem ou dificultam a autonomia e a segurança de todas as pessoas, sejam elas trabalhadoras ou usuárias do equipamento, ou seja, impedem a efetivação do direito à acessibilidade com desenho universal, expresso na legislação vigente, nas estações de integração do transporte público. Questões administrativas que possam impedir ou dificultar a superação das barreiras/inconformidades, como as relações contratuais que envolvem os órgãos públicos gestores e as entidades privadas operadoras dos serviços existentes nas estações, devem ser relatadas em relatório próprio. O laudo de acessibilidade, uma vez aprovado pela BHTrans, deve tornar-se um instrumento suficiente para elaboração das alternativas de superação das barreiras/inconformidades”.
[…]
texto do e-mail de 17/04/2025:
[…]
O novo checklist contempla, em grande parte, as minhas recomendações e já pode começar a ser aplicado. Como costuma acontecer quando se elabora um checklist com esse nível de complexidade, uma vez iniciada a aplicação nada impede que os consultores concluam pela necessidade de ajustar/ampliar um item aqui, outro ali. Além disto, as entrevistas que, acredito, ainda serão feitas com usuários e trabalhadores locais também podem evidenciar a necessidade de ajustes. Essa adequação do checklist poderá ser feita, inclusive, durante a etapa de elaboração do laudo de acessibilidade. Ao se concluir, por exemplo, que não há informação para analisar um determinado requisito, elabora-se um checklist complementar, aplica-o e anexa-o (com a devida anotação em campo próprio para salvaguardar a fidedignidade da informação complementada).
Como o checklist apresentado é grande, posso aqui, tão somente, fazer alguns comentários pontuais.
- na planilha 1 (elementos da travessia – calçada externa) não haverá como o inspetor responder o “item inspecionado” descrito como “A calçada está de acordo com a legislação municipal da cidade…?”, que tem como “fonte” o “Padrão municipal de passeios de BH”, pois todo o checklist é (assim me pareceu) é constituído de requisitos da ABNT e regulamentações federais (sabemos que a Município pode, se quiser, ser mais rigoroso que as normas federais, mas me pareceu que isso não está sendo aferido no checklist);
- como o documento permanece com o nome “checklist para avaliação arquitetônica”, estou entendendo que ele servirá para o diagnóstico das barreiras arquitetônicas (que é uma das seis barreiras existentes a serem avaliadas) e que outros checklists ou formulário ainda serão elaborados para sustentar o diagnóstico de governança e o laudo de acessibilidade;
- me pareceu que as “fontes” (em sua grande maioria) são relativas a requisitos mínimos de acessibilidade, ficando faltando a avaliação dos sete princípios do desenho universal;
- em algumas (poucas) “fontes” está escrito “não se aplica”, mas essa constatação é algo para ser preenchido na aplicação e não previamente;
Por fim, registro apenas mais alguns comentários pontuais, que devem ser tomados apenas ilustrativamente, reafirmando que não analisei todo o checklist (pois seria impossível fazê-lo em pouco tempo). Tomemos a aba “6 – Estacionamento”. Estou entendendo que o mesmo checklist será aplicado em vários locais (anotando-se a identificação de cada local no cabeçalho), certamente em cada pavimento da edificação inspecionada, mas as perguntas do checklist me pareceram insuficientes. Alguns exemplos:
- em “6.1 – Vagas” as perguntas “Possui 2% das vagas destinadas a veículos que transportem pessoa com deficiência, com no mínimo uma vaga?” e “Possui 5% das vagas destinadas a pessoas idosas, com no mínimo uma vaga?” são insuficientes, pois dependem da inspeção prévia de itens não previstos, a serem inspecionados e registrados anteriormente, quais sejam: “Há vagas de estacionamento?”, “Há vagas de estacionamento abertas ao público?”, “Há vagas de estacionamento reservadas para uso exclusivo de pessoas idosas?, “Há vagas de estacionamento reservadas para uso exclusivo de pessoas com deficiência?”, “Há vagas de estacionamento reservadas para uso exclusivo de outra(s) categorias de pessoas (p.ex. autistas)?” e “Há vagas de estacionamento reservadas para uso exclusivo de algum tipo de veículo (p.ex. viaturas policiais)?. Para essas perguntas iniciais anota-se “dado primário” em “fonte” e responde-se “sim/não” e lançam-se as quantidades de vagas em “medição” (lançar “0” quando a resposta for “não”). Na primeira pergunta, nas “observações” descrevem-se todos os tipos de vagas de estacionamento existentes. Para as questões sobre percentual, então, responde-se “sim/não” e lançam-se os percentuais exatos de cada tipo de vaga em “medição”. No laudo de acessibilidade, então, haverá uma análise desses dados colhidos no checklist, constatando-se que o empreendimento “atende/não atende” aos requisitos mínimos de quantidade de vagas reservadas por piso e para toda a edificação. Com base no laudo, então, os responsáveis poderão tomar as providências cabíveis. Para monitoramento, na CPA-BHTrans posso construir um quadro de “indicadores de acessibilidade nas estações de integração” (incluindo esses itens) para lançar quantidades, metas, prazos e responsáveis.
- em “6.2 – Geral”, na pergunta “Existe rebaixamento de guia junto à vaga acessível ligando-o à rota acessível?” é insuficiente saber se o rebaixo existe: é necessário também saber se ele, caso exista, atende cada um dos requisitos de acessibilidade (declividades das abas, por exemplo);
- no item “As vagas reservadas possuem sinalização horizontal com o pictograma IDOSO?”, que toma como “fonte” as “Resoluções nº 965/22 e 1012/24 do Contran”, alerto que a Resolução Contran n.º 965/2022 alterou a “legenda IDOSO” pelo “Símbolo Idoso”, mas esse símbolo não deve ser chamado de “pictograma IDOSO” (para não confundir o inspetor); a partir de 2022 a identificação de vagas reservadas para pessoa idosa é feita com o pictograma de um “homem de pé” ao lado da inscrição “60+”, tanto na sinalização horizontal quanto na sinalização vertical e não (como está no checklist) o “pictograma IDOSO”, exigindo também a inscrição COM CREDENCIAL na sinalização vertical e a numeração de cada vaga na sinalização horizontal de todas as vagas reservadas em áreas de estacionamento privado de uso coletivo (cada uma dessas exigências é um requisito mínimo); pode-se, para simplificar o checklist geral, elaborar um item genérico (p.ex.: “a sinalização de todas as placas atende ao padrão Contran em vigor?”) e ser criado um checklist específico para a sinalização horizontal/vertical.
- no item “Existe rebaixamento de guia junto à vaga acessível ligando-o à rota acessível?” de “6.2 – Caminho seguro” da aba “6 – Estacionamento”, fiquei em dúvida se as questões servirão para vagas na via pública e também para vagas dentro da estação (pois os requisitos são diferentes).
No mais, parabéns aos consultores e reafirmo que a CPA-BHTrans permanece à disposição para apoiar a Sumob no que for necessário. Adianto que na minha pesquisa de pós-doc estou elaborando alguns checklists bem pontuais. Se eu terminá-los logo, lhe enviarei como uma contribuição pessoal minha para compartilhamento com os consultores.
[…]
texto do e-mail de Marcos Fontoura de 16 jul. 2025:
[…] é meu entendimento, como coordenador da CPA-BHTrans, que o empreendedor do Shopping Estação, com base no Laudo de Acessibilidade elaborado pela Metrics, já pode apresentar à SMMUR um cronograma de elaboração de projetos e de implantação de ações para adequação integral da Estação Vilarinho para superação de todas as inconformidades. Esse cronograma precisará ser previamente aprovado pela SMMUR. Tão logo seja recebido, a CPA-BHTrans pode analisá-lo para subsidiar decisão da SMMUR.
Sobre o conteúdo do Laudo de Acessibilidade (Metrics), a CPA-BHTrans, até o momento, recebeu comentários apenas de Renata Assis e Sérgio Manini (ambos da Sumob). Já fiz uma leitura integral e estou preparando um relatório analítico, ponto a ponto.
Como eu já havia alertado formalmente, falhas no checklist poderiam levar a imprecisões no laudo. Isso, de fato aconteceu, em alguns assuntos. O forte do Laudo Metrics é a avaliação dos requisitos mínimos de acessibilidade arquitetônica da edificação, mas sabemos que acessibilidade não se restringe a isso. A principal ausência é a não avaliação do desenho universal “como regra de caráter geral”, como está expresso na LBI.
Exemplifico: uma falha evidente no checklist (que implicou em conclusões equivocadas no laudo) é o item 5.3.1, assim formulado: “Pelo menos um em cada conjunto de catracas, cancelas, porta[sic] giratórias ou outro dispositivo de segurança no ingresso é acessível com altura mínima de 80cm?”. O item, assim formulado, dá a entender que o único requisito de acessibilidade seria sua largura, quando sabemos que não é. O efeito dessa falha no checklist é a conclusão (p.102) equivocada que “pelo menos um em cada conjunto […] é acessível […]”. Faltou no checklist Metrics uma itemização contendo todos os requisitos de desenho universal (naturalmente incluindo a largura, mas não se restringindo a isso). Isso poderia ter sido feito em um checklist separado a ser aplicado em cada linha de bloqueio. No checklist geral, então, à pergunta “as linhas de bloqueio são todas acessíveis?” teríamos “NÃO” como resposta em vez de “SIM”. Outro problema no relatório é não apresentar informações (não encontrei) básicas sobre as linhas de bloqueio da estação: quantas são, onde estão, quais são suas especificações e como são mantidas/operadas. Podemos superar isso facilmente, pois já tenho alguns checklists rascunhados na minha pesquisa de pós-doc. Pedirei para Socorro Pirâmides, com apoio de outros integrantes da nossa Comissão, elaborar um “checklist de linha de bloqueio” para integrarmos ao checklist da Estação Vilarinho. Ele nos servirá para diagnosticar a acessibilidade de todas as nossas estações. Uma vez concluído o checklist, nós mesmos o aplicaremos na Estação Vilarinho e o remeteremos à SMMUR como uma contribuição da CPA-BHTrans. Desde já adianto que a nossa conclusão será bem distinta da contida no Laudo Metrics, pois todos nós sabemos que todas as linhas de bloqueio de todas as estações de Belo Horizonte contêm muitas inconformidades de acessibilidade.
Por fim, para facilitar nosso trabalho, peço-lhe que nos envie o checklist aplicado/entregue pela Metrics à SMMUR em formato excell. Assim, poderemos inserir todos os ajustes que formos identificando como necessários. Faremos isso em um arquivo no Google Drive para que a SMMUR e todos os integrantes da CPA-BHTrans possam acompanhar.
Ficamos aguardando o arquivo,
Atenciosamente,
[…]
texto do e-mail de Marcos Fontoura de 17 jul. 2025:
[…]
Recebi a incumbência de avaliar o Laudo de Acessibilidade da Estação Vilarinho elaborado pela empresa de consultoria Metrics. Estou fazendo a análise por partes e preciso de algumas informações sobre linhas de bloqueio para poder prosseguir. São elas:
1) Quantas são as linhas de bloqueio localizadas dentro da estação?
2) Onde cada linha de bloqueio está instalada?
3) A que serviços (para cada lado) cada linha de bloqueio dá acesso?
4) Que entidade(s) tem(têm) a responsabilidade por cada linha de bloqueio?
5) O que a BHTrans acompanha (se acompanha) da operação diária de cada linha de bloqueio?
Por favor, anexe à sua resposta uma ou mais fotografias que me permitam ver as características de cada uma das linhas de bloqueio existentes na estação.
Esta mensagem segue com cópia para […]
conteúdo do e-mail recebido por Marcos Fontoura de Everaldo da Mata em 17 jul. 2025:
1- Temos três linhas de bloqueio na Estação Vilarinho.
2 e 3- A primeira é o acesso do público geral à estação, proveniente do Shopping Estação BH e permite embarque nas linhas alimentadoras. Este mesmo bloqueio, conforme imagem 1, anexo, é nossa saída da estação, portanto, em direção à rua. Temos neste bloqueio 7 catracas de acesso às linhas alimentadoras, três catracas de saída ( área não paga) e um portão para uso de deficientes. Está localizada no centro da Estação.

A segunda é o acesso às linhas troncais, após complemento de tarifa (06 catracas). Também permite sair para embarque nas alimentadoras, sem tarifa ( 01 catraca) e um portão para uso de deficientes. Segue imagem 2, anexo. Está localizada mais para o lado da Av. Vilarinho.

A terceira dá acesso às linhas troncais, após complemento da tarifa (02 catracas). Também permite sair para embarque nas linhas alimentadoras, sem tarifa ( 05 catracas) e um portão para uso de deficientes. Segue imagem 3, anexo. Está localizada mais para o lado da Cristiano Machado.

4- Responsável pela operação das catracas e venda de bilhetes é o Transfácil
5- A GARVN faz check-list do funcionamento das catracas, com objetivo de garantir que todas estejam funcionando. Não anotamos dados.
conteúdo do e-mail de Marcos Fontoura de 18 jul. 2025:
[…] E em relação às linhas de bloqueio para acesso ao metrô e aos ônibus metropolitanos? Você pode complementar a informação? […]
conteúdo do e-mail recebido por Marcos Fontoura de Everaldo da Mata em 21 jul. 2025
No piso L1 temos 10 roletas de acesso ao metrô, vindo do shopping Estação BH (área não paga). Há um portão para deficientes. A responsabilidade pela gestão destas roletas é do Metrô BH.

No piso L1 temos 10 roletas de saída do metrô, em direção ao shopping Estação BH. A responsabilidade pela gestão destas roletas é do Metrô BH.

No piso G1 temos 7 roletas de acesso ao metrô, vindo do Shopping Estação BH (área não paga) . Há um portão para deficientes. A responsabilidade pela gestão destas roletas é do Metrô BH.

No piso G1 temos 6 roletas de saída do metrô, em direção ao shopping Estação BH. A responsabilidade pela gestão destas roletas é do Metrô BH.

No terminal metropolitano temos oito roletas que servem para acessar o serviço Move Metropolitano (vindo da área não paga da Estação Vilarinho Norte) e também servem como saída do sistema Move metropolitano, para área não paga da Estação Vilarinho Norte, ou seja, as mesmas roletas atendem entrada e saída. Há um portão para deficientes. Roletas de responsabilidade do Ótimo.

conteúdo do e-mail de Marcos Fontoura de 12 jul. 2025:
Com base nas informações que você me enviou, elaborei um formulário para tipificação e quantificação de linhas de bloqueio em qualquer estação e o testei na Estação Vilarinho.
Seguem anexos: modelo e aplicação.
Peço-lhe para analisar e sugerir melhorias/correções, se for o caso.
Tive dívidas na 6ª linha de bloqueio (MetrôBH), pois a fotografia que você me enviou mostra 5 (cinco) passagens, mas seu texto informa que elas são 8 (oito).
conteúdo do e-mail recebido por Marcos Fontoura de Everaldo da Mata em 23 jul. 2025
Alguns ajustes:
A 3ª linha, no pico da manhã, até 08:30h, possui 05 (cinco) catracas de acesso aos troncais municipais, após pagamento de tarifa complementar e (02) duas catracas saíndo do troncal para alimentador, sem complemento de tarifa. No pico da tarde, a partir das 15h, possui (04) catracas de saída do troncal para o alimentador (não pago) e (03) do alimentador para o troncal, com complemento de tarifa.
A 4ª linha, localizada no piso L1, possui (09) nove catracas e não dez.
Segue a foto da 6ª linha:

A 6ª linha possui 07 catracas de acesso ao metrô (vindo do Shopping Estação BH), seis catracas de saída do metrô ( para o Shopping Estação BH) e um portão para uso de pessoas que não conseguem usar a catraca.
conteúdo do e-mail de Marcos Fontoura de 23 jul. 2025:
Caras e caros integrantes do grupo de e-mail CPA-BHTrans,
c/c […]
Na próxima quarta-feira estarei às 14h na Estação Vilarinho para uma vistoria nas oito linhas de bloqueio existentes na edificação. Convido a quem quiser participar, que me encontre na Estação. Meu WhatsApp (para não haver desencontros) é 99501-0570. O gerente Everaldo da Mata nos receberá pessoalmente para essa vistoria.
Minha intenção é testar formulários especialmente elaborados como produtos de minha pesquisa de pós-doutorado. Minha intenção é (se aprovados no teste) propor a substituição de partes do checklist que a CPA-BHTrans recebeu para análise e, consequentemente, partes do laudo de acessibilidade dele resultante. Repito o que venho dizendo: um checklist com problema pode gerar (e, nesse caso, gerou) um laudo com problemas.
Seguem anexos dois arquivos que usaremos na Estação Vilarinho. Observem que o Formulário n.º 11a já está preenchido e será conferido. O checklist n.º 8a (aba 5.3), que inclui o Formulário 11b, será preenchido no local. Fiquem à vontade para sugerirem ajustes antes do dia da vistoria, para chegarmos no local com instrumentos ainda melhores do que os aqui anexados.
[…]
conteúdo de dois e-mail de Marcos Fontoura de 6 ago. 2025:
Recomendo registrar no aceite da consultoria Metrics que está errada a conclusão na página 102 do laudo, com base no item 5.3 do checklist. Meu checklist, que subsidiará o laudo, atesta que não há sequer uma passagem em qualquer das oito linhas de bloqueio vistoriadas, que seja acessível.
Recomendo registrar no aceite da consultoria Metrics que está insuficiente a análise contida nas p.89-90 do laudo (item 4,1 – elevador). O laudo não é capaz (como deveria) de gerar a formulação de alternativas para superação das inconformidades que, inclusive, já motivaram a compra de novo equipamento.
conteúdo de dois e-mail de Marcos Fontoura de 20 ago. 2025:
[…] fico preocupado com essa afirmação da Metrics: “no nosso entendimento, se existe pelo menos uma passagem acessível em cada linha de bloqueio , mesmo que precise ser operada por um funcionário da estação , ela é considerada acessível”. Esse entendimento está incorreto: se uma passagem é operada manualmente, ela é automaticamente “não acessível”. Basta ler a definição de acessibilidade que, como sabemos (e isso não é recente), pressupõe “autonomia e segurança”. Digo mais: todas as oito linhas de bloqueio existentes na estação descumprem vários requisitos mínimos de acessibilidade. De todas elas, a linha de bloqueio operada pelo Ótimo para acesso ao serviço metropolitano é a que possui mais desconformidades, mas as operadas pelo metrô e pelo Transfácil também têm as suas inconformidades. Estou usando a Estação Vilarinho como um teste do checklist que elaborei para aplicar em todas as linhas de bloqueio do sistema de transporte (de estações de transferência e de estações de integração). Tão logo eu conclua o processo de elaboração/teste/análise, elaborarei um laudo para apresentação à DPR. Após esse processo, terei prazer em compartilhar todo o material com quem se interessar.
O Laudo da Metrics avalia os requisitos de acessibilidade de um elevador no item 4 (acesso plataforma), mas não fiquei seguro de que a avaliação é suficiente. O que Odirley disse sobre esse item? E o gerente da GARVN? Eu usei um dos elevadores na estação, quando lá estive na semana passada, junto com uma cadeirante, e ela não conseguiu fazer o giro dentro da cabine, tendo que entrar de frente e sair de ré. Ao concluir que a cabine tem as dimensões mínimas (como está no laudo), isso não significa que ela atende ao desenho universal. Como o elevador é antigo, pode ser que à época de sua compra isso nem era considerado uma necessidade. Não sou especialista em elevadores: isso é apenas uma consideração sobre acessibilidade, que é importante estar registrada no laudo. Como eu disse no meu e-mail anterior, o laudo apresentado não é capaz (como deveria) de gerar a formulação de alternativas para superação das inconformidades que, inclusive, já motivaram a compra de novo equipamento. E se o novo equipamento já adquirido também não permitir o giro da cadeira? O que faremos?
Outras perguntas que precisam ser respondidas:
– a descrição da p.89-90 refere-se a todos os elevadores da estação?
– quais foram os elevadores avaliados e quais as localizações de cada um (um mapa ajudaria a entender)?
– as localizações dos elevadores integram as rotas acessíveis?
– os elevadores garantem autonomia e segurança dos usuários?
– os caminhamentos dos usuários em cadeira de rodas para uso dos elevadores são convenientes?
– as manutenções preventivas e corretivas atualmente adotadas são suficientes?
– os planos de contingência adotados quando há interrupção de uso do elevador são convenientes ou devem ser revistos?
O mais preocupante sobre os elevadores, no laudo, é não se constatar (não encontrei) que esse é um grande problema de acessibilidade na estação, talvez o mais grave. Sempre que eu vou à Estação há pelo menos um elevador estragado “em manutenção”.