CARSON, C. (2014): CARSON, Clayborne (Org.). A autobiografia de Martin Luther King. Tradução: Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2014. 463p. Título original: The Autobiography of Martin Luther King, Jr.
Sobre este livro na editora Zahar: “[…] Com base em arquivo inédito de textos autobiográficos do próprio King, incluindo cartas e diários não publicados, assim como filmes e gravações, Clayborne Carson – historiador da Universidade Stanford e diretor do Martin Luther King Jr. Research and Education Institute – cria um inesquecível retrato em primeira pessoa do grande líder.”
Acesse também depoimento de Martin Luther King (Letter from Birmingham Jail) em: parque de diversões segregado (1963).
trechos selecionados que são aqui publicados à medida em que vão sendo elaborados novos verbetes:
p.16: Martin Luther King narra um episódio em que o fazendeiro onde seu avô trabalhava refere-se ao filho dele, gritando: […] esse crioulinho* […]
* Em inglês, ‘little nigger‘. A palavra nigger, essencialmente pejorativa, não tem tradução exata em português. A opção por ‘crioulo‘ é um recurso comum. (N.T.)
p.17: Desde antes de eu [Martin Luther King] nascer, ele [seu pai] se recusava a andar de ônibus [segregado] na cidade [Atlanta] após testemunhar um ataque brutal a um grupo de passageiros negros.
p.17: […] elevadores segregados […]
p.20: [Martin Luther King falando:] Sempre tive uma animosidade pelo sistema de segregação, percebendo-o como uma grave injustiça. Lembro-me, certa ocasião, de ir com meu pai a uma sapataria [loja segregada] no centro da cidade [de Atlanta/Geórgia] quando ainda era pequeno. Tínhamos nos sentado nas primeiras cadeiras vazias que havia na loja. Um jovem vendedor aproximou-se e murmurou, educadamente: – Terei prazer em atendê-los se passarem para aquelas cadeiras lá no fundo. […]
p.21: “[policial de trânsito falando como o pai de Martin Luther King] – Muito bem, moleque, encoste aí e me mostre sua licença [NT = Em inglês, boy, termo utilizado pelos brancos do Sul para fazer referência aos homens negros, independentemente da idade.”] – comentário nosso: este trecho é citado no verbete só negros / negros.
p.21: o pai de Martin Luther King diz que nunca vai aceitar esse “sistema [de segregação]”.
p.22: [sobre ônibus segregados]
p.23: [sobre ônibus segregados]
p.23: Ele diz que “tinha crescido detestando não apenas a segregação, mas também os atos de opressão e barbárie que nela se originavam.”
p.24: […] foi com um sentimento amargo que voltei à segregação. Era difícil compreender por que eu podia viajar onde quisesse no trem de Nova York a Washington e então fosse obrigado a passar para um vagão segregado na capital do país a fim de continuar a viagem até Atlanta. Na primeira vez que sentei atrás de uma cortina num vagão-restaurante, foi como se uma cortina tivesse baixado sobre minha individualidade.
p.21: [pai de Martin Luther King falando:] -Não importa por quanto tempo eu tenha de viver com esse sistema [de segregação], nunca vou aceitá-lo.
p.23: Eu tinha crescido detestando não apenas a segregação, mas também os atos de opressão e barbárie que nela se originavam.
p.24-25: Nunca consegui me adaptar a salas de espera separadas, restaurantes [separados] e lanchonetes separados, sanitários separados, em parte porque separado significava desigual, e em parte porque a própria ideia de separação mexia de alguma forma com meu senso de dignidade e respeito próprio.
p.27: […] Quer se expressem [referindo-se aos ensinamentos de Thoreau] num sit in* numa lanchonete [segregada], numa marcha […].
* N.T. = Ocupação pacífica de espaços não permitidos pelas leis e práticas segregacionistas. (N.T.)
p.48: [Martin Luther King falando em 1965] Lembro-me muito bem de tentar encontrar um lugar para morar [durante a pós graduação na Universidade de Boston]. Eu ia de lugar em lugar onde quer que houvesse anúncios de quartos para alugar. Eles estavam para alugar até que descobriam que eu era negro, aí, subitamente, tinham acabado de ser alugados.
p.63: [Martin Luther King falando:] Como a discriminação racial era mais intensa no Sul, achávamos que os negros que tinham recebido parte de sua instrução em outras regiões do país deveriam voltar para compartilhar seus contatos e sua experiência educacional mais amplos.
p.68: [Martin Luther King falando:] Muitos negros achavam que a integração só poderia ser atingida por meio de legislação e de ações jurídicas – as principais ênfases da NAACP. Muitos brancos pensavam que a integração só poderia ser atingida mediante a educação – a principal ênfase do Conselho de Relações Humanas. […] partia do pressuposto de que haveria uma única abordagem para a solução do problema da raça. Eu, pelo contrário, achava que as duas abordagens eram necessárias. Pela educação, buscamos mudar atitudes e sentimentos internos (preconceito, ódio etc.); pela legislação e por determinações dos tribunais, buscamos regulamentar o comportamento.
p.75: Ali a sra. Parks estava sendo julgada por desobediência ao sistema de segregação municipal.
p.107-126: capítulo 9 – Enfim a dessegregação.
- _pendentes
- _REVISTO
- Atlanta (Georgia/USA)
- biografias / cartas / entrevistas
- Boston (Massachusetts/USA)
- crioulinho
- crioulo
- little nigger
- livros e guias
- moleque
- negros
- nigger
- Nova York (NY/USA)
- postagens com imagens liberadas
- postagens públicas liberadas
- referências
- vagões segregados de trem/bonde/metrô
- Washington (D.C./USA)