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MEU BOLO (2024): MEU BOLO FAVORITO. Direção: Behtash Sanaeeha e Maryam Moghadam. Alemanha / França / Irã / Suécia, 2024. vídeo, cor, 97′. Título original em persa: کیک محبوب من (Keyke mahboobe man). Título em inglês: My Favourite Cake.
sinopse e comentário no website da Cinemateca Paulo Amorim (link externo):
Mahin tem 70 anos, é viúva e vive sozinha em Teerã. Apesar da rotina solitária, ela mantém a vitalidade e o interesse pelas coisas do cotidiano – o que inclui afrontar a Polícia da Moral que controla os costumes no país. Disposta a revitalizar sua vida amorosa, a viúva convida o taxista Faramarz para um encontro.
O filme foi o vencedor do prêmio Fipresci (da crítica) e do Juri Ecumênico no Festival de Berlim 2024, mas seus diretores foram proibidos de deixar o Irã para acompanhar a premiação.
comentário nosso sobre uma cena do filme (contém spoiler):
Em uma cena, Faramarz está levando Mahin para casa, a pedido dela, como taxista que ele é. Eles moram em Teerã. No caminho ela o convida para ir à sua casa (algo impensável na cultura repressora dos dias de hoje no Irã). Ele aceita o convite e para no meio do caminho para “comprar um medicamento” que, sabemos depois, é Viagra. O local da parada é uma avenida larga com canteiro central ajardinado. A farmácia onde ele vai fica do lado contrário de onde estacionou o carro. Nesse momento, cai uma chuva fina. Quando ele volta, sob a chuva, pulando o canteiro central em direção ao carro, é quase atropelado.
observações da pesquisa Como viver junto na cidade:
A seguir, imagens de Belo Horizonte buscam uma comparação com a cena do quase sinistro de trânsito em Teerã no filme “Meu bolo favorito”. Iniciemos com a localização geográfica do local brasileiro: a interseção de Avenida Afonso Pena com Rua Gabriel dos Santos e Rua Jornalista Jair Silva (a avenida divide os bairros Cruzeiro, à esquerda, e Serra, à direita).
A Rua Gabriel dos Santos, de mão única, desemboca na Avenida Afonso Pena sem atravessá-la. Defronte à esquina, no meio da avenida, há um canteiro ajardinado e sempre pisoteado por pedestres. Junto a esse canteiro central, do lado direito no sentido bairro/centro, há uma ciclovia polêmica, que foi implantada em 2024 e tornou-se alvo da última campanha eleitoral municipal com candidato (derrotado) prometendo, com faixas na região, demoli-la. Do outro lado da avenida já um ponto de embarque de embarque (PED) do transporte coletivo que gera fluxo de pedestres para atravessar a Avenida Afonso Pena e chegar à Rua Gabriel dos Santos para, então, acessar o interior do bairro Serra, bem como para acessar o interior do bairro Cruzeiro, por uma escada que dá acesso apenas para pedestres à Rua Jornalista Jair Silva.
A seguir, sequência de cinco fotografias (15/01/2025):
(crédito: Marcos Fontoura de Oliveira – uso autorizado desde que citada a fonte)
Fica a questão: Se concordamos que as duas situações apresentadas expõem os pedestres a risco de atropelamento, o que poderia/deveria ser feito em Belo Horizonte para evitar esse tipo de exposição do pedestre a sinistros de trânsito?
Alguns comentários sobre a situação em Belo Horizonte:
- é grande o risco dos pedestres em locais (inúmeros na cidade) como esse;
- apesar da existência de faixas de estacionamento (tanto na avenida quanto nos dois lados da rua mostrada), a calçada na esquina é projetada para uma situação sem veículo estacionado na avenida, logo após a esquina, desconsiderando a segurança do pedestre;
- os motoristas dos automóveis que saem da rua para a avenida ficam fixados no trânsito que desce a avenida, esperando o momento de nela poder entrar, e não contam com um pedestre atravessando fora da faixa (isso lembra o efeito “gorila invisível” de Chabris e Simons);
- quando a ciclovia, recentemente implantada, atrair o trânsito de ciclistas, como é que uma bicicleta descendo a avenida conseguirá não atropelar os pedestres que têm o hábito antigo de cruzá-la a pé em vários pontos como o mostrado acima?
Ponto de atenção (NTL n.º 15): Buscar respostas para as questões aqui apresentadas com quem projeta/implanta no sistema viário urbano. Clique aqui (acesso estrito) para saber a quem foi enviada uma mensagem compartilhando o link desta postagem.
A imagem no topo deste verbete foi criada pela Pallavra Comunicação com uso de inteligência artificial para ilustrar a cena de uma senhora idosa sozinha, em pé, aguardando um táxi em uma rua de Teerã. Observe-se que na imagem há motocicletas circulando sobre o passeio, o que certamente não aconteceria se a cidade escolhida fosse outra.