referência para citação
OLIVEIRA, M.F. (2023c1a): OLIVEIRA, Marcos Fontoura de. Ficha do indicador IAED e seus componentes da pesquisa “Como viver junto na cidade”. Levante-BH, Belo Horizonte, 12 mar. 2019 (atualizado em 12 out. 2024).
Esta postagem segue as premissas da pesquisa Como viver junto na cidade (modelo definido). Elaborada como um verbete, foi posteriormente transformada em uma referência da Biblioteca do LevanteBH adequando-se aos conceitos definidos em 02/02/2023 para nova fase da pesquisa Como viver junto na cidade.
Aqui se apresenta o uso detalhado de um indicador já utilizado pela PBH que, em sua primeira versão, integrou o sistema de informações SisMob-BH. Ele pode ser utilizado, seja apenas para medir, seja para monitorar, seja para cobrar resultados. O índice IAED de uma cidade mostra o quão perto ou longe ela está de oferecer acessibilidade com desenho universal aos usuários, em especial às pessoas com mobilidade reduzida, tomando como critério de avaliação a forma como os ônibus urbanos do seu sistema de transporte público coletivo oferecem o embarque/desembarque.
ponto de atenção: No momento devido o conteúdo desta postagem será incorporado à NTL n.º 3 para envio formal a entidades previamente selecionadas.
Vale lembrar: o website da pesquisa foi liberado para consulta pública em janeiro de 2025, ainda sem ampla divulgação. A pesquisa será concluída em dezembro 2025. Desde já, aguarda-se e espera-se que quem se interesse pelo tema faça contato para intercâmbio de informações e ampliação/aprimoramento dos conteúdos.
Veja também:
- para conhecer o conjunto de indicadores da pesquisa “Como viver junto na cidade” acesse o verbete Caderno de indicadores do LevanteBH;
- para conhecer os demais indicadores que compõem o Índice de Acessibilidade da Mobilidade Urbana de Belo Horizonte acesse o verbete ficha do indicador IAM (BH) com lista de indicadores-chaves;
- para conhecer os demais indicadores que medem aspectos pontuais das estações de integração do transporte público coletivo acesse o verbete indicadores de estações (transporte público coletivo) do Levante BH;
- para conhecer os demais indicadores que medem aspectos pontuais da segurança e autonomia para acesso a bens e serviços acesse o verbete indicadores de acessibilidade do Levante BH;
- para facilitar a coleta de dados primários acesse o formulário para apuração do indicador IAED; que integra o Caderno de checklists e outros formulários do LevanteBH.
- acesse os gráficos do indicador IAED, que integram o Caderno de Gráficos do LevanteBH.
ficha do indicador IAED
- sigla: IAED (referência geográfica e/ou temporal);
- nome: Índice de Acessibilidade do Embarque/Desembarque de ônibus urbano;
- descrição: índice que mede o nível de acessibilidade com desenho universal de um sistema ou subsistema de transporte público coletivo por ônibus urbano de uma cidade/região/país, tomando como métrica a escala IAED;
- atividade relacionada: ____ na planilha de monitoramento das Atividades do Pladu-BH;
- fórmula para cálculo: IAED = ∑(n.º de ônibus do sistema ou subsistema de cada nível da escala IAED x pontuação de cada nível na escala IAED) / n.º total de ônibus do sistema ou subsistema;
- unidade: sem unidade (com duas casas decimais);
- relevância: indicador-chave representativo da NTL n.º 3 (componente do indicador IAM);
- finalidade: indicador de acessibilidade;
- assunto principal (mobilidade urbana): indicador de transporte público coletivo (ônibus urbano);
- periodicidade da medição: anual (situação em 31/12 de cada ano);
- meta: 10,00 (até 2030);
- uso: em qualquer sistema ou subsistema de transporte público coletivo por ônibus urbano de qualquer cidade/região/país;
- observação: como o indicador pode ser apurado a qualquer momento, tanto para um subsistema quanto para um sistema de transporte público, assim como para meses ou anos, a sigla IAED recebe letras e números adicionais para bem identificar cada resultado.
componentes do indicador ET DIV (indicadores de apoio):
- os “n.º de ônibus” da fórmula são identificados nos arquivos da Biblioteca do LevanteBH como F tc (indicador de produção);
- para cálculo do IAED cada tipo de ônibus de um sistema ou subsistema deve ser previamente enquadrado em um dos dez níveis da escala IAED utilizando-se formulário especialmente elaborado para tal;
- “escala IAED (ônibus urbano)” é uma métrica na forma de uma escala em dez níveis, concebida para cálculo do índice IAED, sendo o nível 1 (um) aplicável aos ônibus urbanos inacessíveis e o nível 10 (dez) aplicável aos ônibus urbanos acessíveis com desenho universal (todos os demais tipos de ônibus se situam ao longo da escala);
- o IAED não é aplicável a sistemas e subsistemas que operam com veículos como ônibus rodoviários, vans, motocicletas etc.
exemplos de uso da sigla IAED
- IAED (2023 BH) para o resultado de todo o sistema de transporte público coletivo de ônibus urbano de Belo Horizonte em 31/12/2024 (representativo do ano 2024 para inclusão no Balanço da Mobilidade);
- IAED ts (2023 BH) para o resultado do subsistema de transporte suplementar, que integra o sistema de transporte público coletivo de ônibus urbano de Belo Horizonte em 31/12/2024 (representativo do ano 2024);
- IAED (2015 Curitiba) para o resultado do sistema de transporte público coletivo de ônibus urbano de Curitiba representativo do ano 2024.
vantagens do índice IAED
- é fácil de entender, pois de baseia em uma escala unitária que varia de 1 a 10, onde 1 é a pior situação e dez é a melhor;
- é fácil de calcular, pois é o resultado da média ponderada dos pesos dados aos ônibus de cada sistema ou subsistema;
- já foram encontrados exemplos de veículos classificados em quase todos os níveis da escala, seja operando em cidades/regiões brasileiras, seja operando fora do Brasil;
- há resultados anuais de 1993-1995, 2003 e 2009 em diante para o transporte operado pelas empresas concessionárias de Belo Horizonte (não foram encontrados resultados dos demais anos para completar a série histórica); PENDENTE
- há resultados anuais de 2014-2019 para o transporte suplementar de Belo Horizonte, não tendo sido ainda encontrados resultados dos demais anos para completar a série histórica; PENDENTE
- há resultados de uma capital brasileira da região sul tomada na pesquisa como benchmark nacional (Curitiba), de dois subsistemas da maior cidade brasileira (São Paulo), de uma grande cidade nordestina (Fortaleza) e do sistema metropolitano de ônibus urbano da RMBH (gerenciado pelo Governo de Minas Gerais);
- há resultados pontuais de outras cidades brasileiras, que não são capitais de estados (Contagem e Joinville), estando em curso a busca de resultados de outras cidades/regiões brasileiras e de fora do Brasil para também calcular os índices;
- há dois requisitos de parte interessada (RPI) definidos com base na legislação brasileira em vigor, quais sejam, de “acessibilidade com desenho universal” e de “acessibilidade sem desenho universal”;
- integra o Balanço da Mobilidade de Belo Horizonte (com os demais indicadores-chaves da BHTrans, do PlanMob-BH do ObsMob-BH);
- integra o Sistema Local de Monitoramento de Indicadores ODS” de Belo Horizonte (com os demais indicadores-chaves da PBH).
limites e fragilidades do índice IAED
- o indicador IAED mede apenas a possibilidade de um embarque/desembarque ocorrer nas condições definidas na escala IAED (não mede, portanto, se alguém está devidamente treinado para fazer funcionar, no momento do embarque/desembarque, o elevador instalado no veículo ou a rampa disponibilizada na plataforme elevada instalada na via e, igualmente, não mede se elevador/rampa estão em condições para uso com segurança);
- o indicador IAED restringe-se a medir o que pode ocorrer no momento do embarque/desembarque (não mede, portanto, se o passageiro encontra um local apropriado para ancorar sua cadeira de rodas e viajar em segurança);
cálculo do índice IAED de Belo Horizonte
sigla: IAED (BH)
nome: IAED do sistema de transporte público coletivo por ônibus urbano de Belo Horizonte, que é formado pelos subsistemas “tcs” e “tcec”
fórmula: IAED (BH) = ( (IEAD tcs x F tcs) + (IEAD tcec x F tcec)) / F tc (BH)
onde “F” é a frota do sistema e dos subsistemas
componentes do índice IAED de Belo Horizonte (indicadores de apoio):
sigla: IAED tcs (BH)
nome: IAED do subsistema de transporte coletivo suplementar urbano por micro-ônibus de Belo Horizonte criado em 2001 e denominado pelo Decreto (BH) n.º 13.384/2008 de “Serviço Público de Transporte Coletivo Suplementar de Passageiros”
sigla: IAED tcec (BH)
nome: IAED do subsistema de transporte coletivo urbano por ônibus operado por empresas concessionárias de Belo Horizonte, atualmente denominado pela BHTrans de “Serviços de Transporte Coletivo e Convencional de Passageiros por Ônibus do Município de Belo Horizonte “, que é formado pelos subsistemas “tcec-BRT” e “tcec-tcc”
fórmula: IAED tcec = ( (IEAD tcec-BRT x F tcec-BRT) + (IEAD tcec-tcc x F tcec-tcc)) / F tcec (BH)
onde “F” é a frota dos dos subsistemas
sigla: IAED tcec-brt (BH)
nome: IAED do subsistema de Bus Rapid Transit (BRT) operado por empresas concessionárias de Belo Horizonte criado em 2014 e atualmente indevidamente denominado “Sistema Move” no website BHTrans (link externo – acesso: 30/05/2023)
sigla: IAED tcec-tcc (BH)
nome: IAED do subsistema de transporte coletivo convencional urbano por ônibus operado por empresas concessionárias de Belo Horizonte, que não faz parte do subsistema BRT
hipóteses assumidas para escolha do IAED como indicador-chave
- não há intenção de se criar um indicador único que seja capaz de medir a acessibilidade na mobilidade urbana, pois o tema é amplo e complexo;
- considera-se que o IAED mede uma condição sine qua non da acessibilidade, ou seja, sem o alcance das condições por ele medidas toda a acessibilidade fica comprometida, embora o seu alcance não meça, por si só, que a acessibilidade esteja efetivamente sendo alcançada (isto deve ser medido por meio de indicadores de apoio);
- o IAED refere-se apenas à facilidade/dificuldade física que podem ter as pessoas para embarcar/desembarcar dos ônibus, por ser essa uma condição relativamente simples de avaliar e de compreender;
- o IAED não mede a acessibilidade de pessoas com deficiência visual, intelectual e/ou auditiva (que têm especificidades para além do embarque/desembarque em nível);
- o IAED não mede a acessibilidade antes/após o embarque/desembarque, deixando de fora questões importantes como as condições físicas do ponto de parada onde se espera/embarca/desembarca, as condições no interior do veículo durante a viagem e as condições para manifestar a intenção de embarcar/desembarcar;
- o IAED não mede a acessibilidade real, vivenciada pelo usuário, uma vez que se baseia em resultados da frota existente e não da operação de embarque/desembarque efetivamente proporcionada por essa frota.
resultados de IAED na Biblioteca do LevanteBH
- mais recente de Belo Horizonte: IAED tc (2023 BH) =3,39 (fonte em breve)
- anterior ao mais recente de Belo Horizonte (para tendência): IAED (2022 BH)= 3,44 (fonte);
- benchmark brasileiro (1): IAED (2015 Curitiba) = 5,12 – postagem em elaboração
- benchmark brasileiro (1): IAED (2015 São Paulo) = 5,12 – postagem em elaboração
A seguir, com caráter meramente ilustrativo, print do Gráfico 8.5.5 – Benchmarking de IAED com cidades/regiões já incorporadas à Biblioteca do LevanteBH e comparação com requisitos de parte interessada (parte integrante do integrante do Caderno de Gráficos do LevanteBH).

A seguir, links para acesso aos demais resultados de IAED organizados na pesquisa.
BRASIL
CE: Fortaleza
MG: Contagem
MG: RMBH em breve
PR: Curitiba em breve
SC: Joinville
SP: São Paulo
COLÔMBIA – Bogotá (informação solicitada diversas vezes e nunca obtida)
PORTUGAL – Lisboa (informação solicitada em 04/02/2023) – teste do formulário em 30/05/2022
comentário final: em 25/08/2022, lendo a dissertação de Daniel Freitas Caputo Oliveira, pensei em alterar o nome do IAED de “acessibilidade” para “microacessibilidade”, mas não prossegui adiante. Essa é uma discussão incluída no verbete “acessibilidade” do Vocabulário de Acessibilidade com Desenho Universal na Cidade.
Se você avalia que há algo nesta postagem que precisa ser revisto, deixe a sua sugestão para que possamos aprimorá-la. Se quiser contribuir com algum documento que possa ser agregado à Biblioteca do LevanteBH, por favor fala contato conosco.
Assim fazendo, vamos construindo cidades inclusivas.