CHIQUITO et al. (2023a): CHIQUITO, Elisângela de Almeida; COSTA, Heloisa Soares de Moura. FERNANDES, Edésio (Org.). RMBH 50 anos: história e memória: planejamento metropolitano a partir do Plambel. Belo Horizonte: Cosmópolis, 2023. 418 p. Livro digital disponível para baixar em: link externo. Acesso em: 16 fev. 2025. (sugestão de incorporação à Biblioteca do LevanteBH: Myriam Nogueira Fábregas).
observação junto à ficha catalográfica: Esta obra é de acesso aberto. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e autoria.
- CHIQUITO et al. (2023b): CHUQUITO, Elisângela de Almeida; COSTA, Geraldo Magela; MONTE-MÓR, Roberto Luís de Melo. Autonomia, liberdade e consciência pública dos planejadores: condições para a subversão do planejamento tecnocrático. In: CHIQUITO, Elisângela de Almeida; COSTA, Heloisa Soares de Moura. FERNANDES, Edésio (Org.). RMBH 50 anos: história e memória: planejamento metropolitano a partir do Plambel. Belo Horizonte: Cosmópolis, 2023. p.82-101.
trechos:
p.83: Podemos entender o período iniciado após o término da 2a guerra mundial como especialmente importante para a emergência do planejamento regional e metropolitano no Brasil, com seu momento áureo nos anos 1970, passando a ser criticado e desprestigiado nos anos 1980, com o processo de redemocratização, crise do Estado e ascensão do pensamento neoliberal. Observa-se uma retomada desse planejamento apenas nos anos 2000.
p.84: Por outro lado, compreendendo que regimes políticos não suprimem por completo ideias discordantes, e que estas existem simultaneamente como parte do campo de forças, buscamos complexificar esta questão mostrando que práticas políticas não suprimidas estavam presentes ainda no período anterior aos anos 1980, assim como práticas tecnocráticas permaneceram paralelamente à politização do planejamento no Brasil pós-redemocratização.
p.87: Como desdobramento dessa tradição e enfatizando as abordagens de autores como John Dewey, Paulo Freire e Ivan Ilitch, entre vários outros, Friedman (1987) identifica outra tradição à qual denomina Aprendizado Social. Aqui, as relações entre Estado e sociedade, assim como entre saber técnico-científico e o saber que emana das experiências da vida cotidiana, estão em pé de igualdade e devem se inter fertilizar, gerando colaboração e aprendizado mútuo. Isto implicaria empoderamento da sociedade civil e sua organização para atuar então como sujeito do planejamento, assumindo o Estado como um ente não-monolítico, trazendo contradições internas e funcionando como arena política racionalizante dos conflitos societários.
p.90: O planejamento seria, portanto, o instrumento ideal para desenvolvimento humanista e solidário que, envolvendo todos os níveis da vida em sociedade, poderia proporcionar uma profunda mudança no sentido universal, transformando uma sociedade menos humana, inferior, para outra mais humana, superior, de forma mais rápida possível, agregando valores mais racionais e mais humanos em nível planetário, promovendo a solidariedade como marca do desenvolvimento dos povos (Lebret, 1958).