SARAMAGO, J. (2020a[1995]): SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. Silveira: Lê Livros, s.d. [149p.] – conteúdo digital. Disponível para baixar em: internet-Farofa Filosófica. Acesso em: 13 dez. 2020.
SARAMAGO, J. (2020b[1995]): SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. 312p.
acesse também: peça de teatro
GRUPO GALPÃO (2026): GRUPO GALPÃO. (Um) Ensaio sobre a cegueira. Direção e dramaturgia: Rodrigo Portella. A partir do romance “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago. Belo Horizonte, Teatro MTC, de 25 de junho a 14 de julho de 2026 (programa).
acesse também: filme
ENSAIO (2008): ENSAIO sobre a cegueira. Direção: Fernando Meirelles. Roteiro: Don McKellar. Baseado no romance homônimo de José Saramago. Brasil / Canadá / Japão /
Reino Unido / Itália, 2008. vídeo, cor, 121′. Título original: Blindness. (cartaz em Wikipedia).
trecho assinado por Rodrigo Portella no programa da peça do Grupo Galpão (2026):
[…] Em primeira instância, a frase [Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara] propõe um aprofundamento na qualidade do olhar – do verbo amis passivo ao mais ativo. ‘Reparar'”‘ é olhar com atenção, observar, temtar reter, desvendar, compreender.
Acontece que o verbo ‘reparar’ em português também significa consertar. Nesse sentido, se podes ver (se tens o poder de ver),podes também corrigir, reformar. Talvez Saramago, de algum modo, esteja propondo com esta [sic] distopia um ato de reparação. Como encenador, o que escolho reparar é a nossa noçãod e comunidade, nossa capacidade de empatizar e de se responsabilizar (de verdade) pelo outro. É nesse ponto que a peça tem, para mim, a sua matéria mais fundamental. […] Para mim, a humanidade ainda tem muito a aprender com o teatro.
trechos do livro (p.4-5 da versão digital Lê Livros. s.d.):
Um homem subitamente deixa de ver, vítima de uma cegueira branca, que começa a se espalhar, causando caos na cidade. Mas será que o caos foi causado pela cegueira? Ou o caos já existia, mas só “visto” com a chegada da cegueira?
Neste livro, Saramago aguça fortemente todos os nossos sentidos, implicando “a responsabilidade de ter olhos, quando os outros os perderam”.
Um ritmo alucinande de escrita que nos faz parar para pensar se respeitamos os valores mais básicos da sociedade.
É preciso cegarem-se todos, para que enxerguemos a essencia de cada um?
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. [acesse postagem citação avulsa]
Livro dos Conselhos
comentário nosso sobre “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”:
Esse livro de onde Saramago diz retirar sua epígrafe é o “Livro dos Conselhos de Dom Duarte” ou o “Livro dos Conselhos de El-Rei D. Duarte”. Algumas informações sobre ele:
“Livro da Cartuxa de Scala Coeli que D. Teotónio de Bragança, arcebispo de Évora, fundador da mesma casa lhe fez doação.”.
[…]
NOTAS DE PUBLICAÇÃO
Livro dos conselhos de el-rei D. Duarte : Livro da Cartuxa. Transcrição de João Jose Alves Dias ; intrd. de A. H. de Oliveira Marques e João Jose Alves Dias ; rev.A. H. de Oliveira Marques e Teresa F. Rodrigues. Lisboa: Estampa, 1982. Disponível na biblioteca da Torre do Tombo, SV 8865.
(fonte – de onde é possível acessar a edição digital do livro).
Em minhas pesquisas, concluí que a citação “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” não está escrita em lugar algum do Livro dos Conselhos. Ela foi integralmente criada por José Saramago para servir como uma epígrafe perfeita e uma chave de leitura de “Ensaio sobre a cegueira”.
Sabemos que Saramago usava esse tipo de “falso histórico”, assim como eu e tantos outros também fizemos (eu, no livro “Ouro Preto e o Futuro”). Ao atribuir um pensamento profundamente filosófico e moderno a um rei medieval real, Saramago certamente testava a curiosidade do leitor. A minha, pelo menos, ele testou. Ao que parece, o próprio Saramago confessou a brincadeira em seus diários “Cadernos de Lanzarote”, que não li.